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Expresso 2222
 
Quinta-feira, Julho 31, 2003  

O que vem por aí
Lua Discos



Guilherme de Brito - O mestre do samba carioca faz lançamento do seu elogiadíssimo CD "A Flor e o Espinho", no Itaú Cultural (São Paulo) nos próximos dias 1 e 2 de agosto, com entrada franca. Acompanhado pelo excelente Trio Madeira Brasil, Guilherme mostra clássicos como "Minha Festa", "Folhas Secas", "Gotas de Luar". No domingo, dia 3, eles descem a serra e se apresentam no Teatro Municipal de São Sebastião (Litoral Norte), dentro do projeto Maré MPB.

Angela Maria - Ela continua os preparativos para comemorar seus 50 anos de carreira. O novo CD, primeiro da artista pela Lua Discos, está sendo produzido e arranjado pelo pianista e compositor Keco Brandão. No repertório, canções que ela sempre sonhou gravar, de nomes como Lulu Santos, Gonzaguinha, Luiz Melodia e Maysa.

Dom Salvador - Depois do sucesso do Chivas Jazz Festival, no qual foi o grande homenageado, Dom Salvador volta ao Brasil para uma série de shows. O primeiro será dia 29 de setembro, no projeto Instrumental Sesc Paulista, com entrada franca. Ao lado do baterista Duduka Fonseca e do baixista Rogério Botter Maio, Salvador apresenta faixas do CD "Transition", recém-lançado pela Lua Discos.

Moacyr Luz - Acaba de ser mixado o novo CD do compositor carioca Moacyr Luz. Desde 1998 sem lançar disco autoral, ele teve tempo para juntar uma verdadeira constelação de parceiros: Paulo César Pinheiro, Luiz Carlos da Vila, Nei Lopes, Wilson Moreira, Wilson das Neves, Martinho da Vila e, é claro, Aldir Blanc. Com arranjos do produtor Paulão 7 Cordas e músicos do primeiro time, o disco é um passeio sonoro pelas ruas e coisas do Rio de Janeiro, desde sempre exaltado pelo artista: Praça Mauá, Pedra do Sal, João da Baiana, Lan, Pixinguinha, Madureira... Daí o título: "Samba da Cidade". Lançamento previsto para 5 de setembro.

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Quarta-feira, Julho 30, 2003  

LIVRO - lançamento
Dicionário de Percussão - Mário D. Frungillo



Desde o fim do século passado, a percussão tem adquirido, no Ocidente, caráter de grupo instrumental independente, pela valorização da música arcaica, pela disseminação da sofisticada música oriental e mesmo pela criatividade dos compositores. São centenas de instrumentos, milhares de composições e múltiplas manifestações populares, com técnicas expressivas de execução. Desenvolve-se, por isso mesmo, um repertório terminológico próprio, que necessita de unificação e padronização. É o propósito desse livro, fruto de seis anos de pesquisa por um profissional que atua há 22 anos como percussionista de orquestra sinfônica, em grupos de câmara e como professor.

Encadernado, 16x23cm, Unesp, 425 pags, R$ 68

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Terça-feira, Julho 29, 2003  

POESIA
Paulo César Pinheiro

Um dos maiores letristas brasileiros, merecidamente ganhador do Prêmio Shell deste ano, Paulo César Pinheiro resume sua relação com a música no poema "Ofício".

OFÍCIO

A música me ama
Ela me deixa fazê-la
A música é uma estrela
Deitada na minha cama

Ela me chega sem jeito
Quase sem eu perceber
Quando dou conta e vou ver
Ela já entrou no meu peito

No que ela entra a alma sai
Fica o meu corpo sem vida
Volta depois comovida
E eu nunca soube onde vai

Meu olho dana a brilhar
Meu dedo corre o papel
E a voz repete o cordel
Que se derrama no olhar

Quando termino o meu canto
Depois de o bem repetir
Sinto-lhe aos poucos partir
Quebrando enfim todo o encanto

Fico algum tempo perdido
Até me recuperar
Quase sem acreditar
Se tudo teve sentido

A música parte e eu desperto
Pro mundo cruel que aí está
Com medo de ela não voltar
Mas ela está sempre por perto

Nada que existe é mais forte
E eu quero aprender-lhe a medida
De como compõe minha vida
Que é para compor minha morte

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Segunda-feira, Julho 28, 2003  

NOITE ILUSTRADA
10/04/1928 - 28/07/2003



Mário de Souza Marques Filho nasceu em Pirapetinga, Minas Gerais, viveu dos 12 aos 26 anos no Rio de Janeiro e foi conhecer o sucesso em São Paulo, para onde foi fazer uma série de apresentações com um grupo de sambistas portelenses na década de 1970. Ganhou o apelido do humorista Zé Trindade (com quem trabalhou como violonista) que ao esquecer-se do nome do rapaz, lembrou-se da revista carioca "Noite Ilustrada" e assim o apresentou.

Com a separação dos pais, quando ainda era bem pequeno, começou a trabalhar para ajudar a mãe. Trabalhou como engraxate na estação de trem e carregava leite para a fábrica de queijos. Foi para o Rio de Janeiro morar com o pai que era motorista da fábrica de lâmpadas GE. Seu Mario, sem tempo para cuidar do filho, colocou-o em um colégio interno de onde só saiu aos 17 anos. Tendo aprendido a trabalhar com móveis, foi trabalhar em Vila Isabel. Foi nessa época que começou seu contato com o samba, primeiramente através de sambistas da Mangueira. Era bom de futebol e foi para a cidade mineira de Além Paraíba tentar carreira como jogador. Foi quando conheceu Zé Trindade. Decidiu-se pela carreira de cantor e voltou para o Rio, onde se apresentava como crooner em boates. Seu primeiro disco foi gravado na Mocambo. Mudou-se para São Paulo e trabalhou na noite até ser contratado pela Rádio Nacional e pela TV Paulista. Seu primeiro grande sucesso foi o samba "Volta por cima", de Paulo Vanzolini, gravado em 1962 na Philips, que se tranformaria num clássico da MPB. Seu mais recente trabalho é "Perfil de um Sambista", lançado em 2001 pela Trama.

O site Gafieiras fez uma bela entrevista com o cantor.

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Quinta-feira, Julho 24, 2003  

PERFIL
Fernando Faro



Sergipano de Aracaju, criado em Laranjeiras, Fernando Abílio de Faro Santos chegou em São Paulo em 1949 e desde então esteve envolvido com as artes em geral e a música em particular. Veio para cursar Direito mas só completou o terceiro ano. Trabalhou nos jornais A Noite, Jornal de São Paulo e Jornal de Notícias.

Em 1953 estreava seu primeiro programa de rádio, Ribalta, que falava sobre teatro. Em seguida começou na televisão, primeiro na TV Paulista, depois na Tupi onde fazia o Hora de Bossa, primeiro programa só de bossa nova da televisão brasileira.

Já nessa época, costumava chamar carinhosamente as pessoas com quem trabalha de "baixo" (ele mesmo mede 1m60). Criou em 1962 o programa Móbile, uma experiência inovadora na tevê brasileira.

Em 1969 - ainda na Tupi - surgia a primeira fase do programa Ensaio. Foi para a Cultura onde fez o MPB Especial em 1972. Em 1975 estava na Globo fazendo o Sexta Super. Voltou para a Tupi em 1977 e logo em seguida a emissora fechou. Depois passou por várias redes de TV, até 1989 quando voltou à Cultura, onde, desde então, vem fazendo o Ensaio. O programa tem como marca os "big closes", a iluminação de alto contraste e as perguntas feitas em "off".

Durante todo esse tempo, atuou também como produtor de shows e discos. Uma das experiências mais importantes nessa área foi o show Kalunga que ele levou para Angola. Chico Buarque havia sido convidado a fazer shows por lá comemorando cinco anos de libertação do país e convidou Faro para dirigi-lo. O diretor achou que a idéia deveria ser ampliada para um grande show com vários nomes da música brasileira. Chico aceitou a sugestão e Faro saiu convidado gente como Edu Lobo, Dorival Caymmi, Clara Nunes, Elba Ramalho, Francis Hime e D. Ivone Lara. No total, Kalunga tinha a participação de 65 pessoas e era o maior show que já havia viajado de um país para outro.

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Terça-feira, Julho 22, 2003  

CD - lançamento
Jards Macalé - Amor, Ordem & Progresso



O cantor e compositor Jards Macalé retoma, no título de seu nono disco "Amor, Ordem & Progresso", pela Lua Discos, a discussão sobre a falta da palavra Amor no lema da bandeira brasileira, já que este foi inspirado no movimento positivista de Augusto Comte, que pregava "O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim". O tema está no CD em "Positivismo", de Noel Rosa e Orestes Barbosa, que versa sobre uma mulher que desprezou a tal "lei".

"Não seria demais acrescentar o amor ao nosso lema, principalmente agora em que vivemos um momento de tanta violência", sentencia Macalé, que, enquanto não consegue inserir a preciosa palavra na nossa bandeira, luta por isso em seu novo trabalho. São 12 canções e o assunto varia de paixão, abandono, ironia, alegria, mas em quase todas está a palavra amor.

Com produção baseada sempre em seu precioso violão, Macalé apresenta músicas próprias ("Amo Tanto", "Canção Singela" e "Pano pra Manga", as duas últimas em parceria com Xico Chaves) e revisita clássicos como "Consolação" (Baden Powell/Vinícius de Moraes), "Foi a Noite" (Tom Jobim/Newton Mendonça) e "Manhã de Carnaval" (Luís Bonfá/Antonio Maria). O repertório traz ainda Ary Barroso ("Por causa desta cabocla", com Luiz Peixoto) e Paulinho da Viola ("Roendo as Unhas").

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CD - lançamento
Olivia Byington - Canção do Amor Demais



A cantora Olivia Byington lança, pela Biscoito Fino, o disco "Canção do Amor Demais", reproduzindo na íntegra o álbum homônimo, de 1958, que trazia Elizeth Cardoso dando voz às melodias de Antonio Carlos Jobim e à poesia de Vinicius de Moraes.

Na versão de Olivia Byington, o repertório segue rigorosamente a ordem concebida por Tom e Vinicius, à época do ímpeto modernista, do progresso sonhado nos anos JK, de uma nova maneira de se conceber música no Brasil, distanciada do sentimentalismo/ufanismo histriônicos que vinham marcando a produção fonográfica no país. Relidas por Olivia, "Chega de Saudade", "Outra Vez", "As Praias Desertas", "Janelas Abertas", "Eu Não Existo Sem Você", "Luciana", "Estrada Branca", entre outros standards, pouco remetem à impostação vocal da Divina Elizeth.

"Foi Tom quem me incentivou a fazer este disco. Ele dizia que eu deveria regravar as músicas de "Canção do Amor Demais" num registro íntimo, com tons mais graves, buscando levar este repertório ao conhecimento das futuras gerações. É uma versão mais Bossa Nova que o original, embora os arranjos não sejam, necessariamente, Bossa Nova. O álbum tem um clima cool, mais próximo de Jobim que qualquer outra coisa", indica Olivia Byington.

A cantora está muito bem acompanhada por grandes músicos como Leandro Braga (piano), Marcello Gonçalves (violão 7 cordas), João Lyra (violão e viola), Marco Pereira (violão), Jamil Joanes (baixo), Dirceu Leite (sopros), Hamilton de Holanda (bandolim) e Beto Cazes (percussão).

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Segunda-feira, Julho 21, 2003  

LP - raridade
Paulo César Pinheiro



Lançado em 1980 pela Odeon, este é o segundo disco do poeta Paulo César Pinheiro. Adepto da promiscuidade musical, o que torna sua obra ainda mais rica, ele divide as faixas com vários parceiros que também participam do disco. Para mostrar que é bom também em letra e música (um disco só com essas composições está prometido para breve), ele abre o disco com "Pelas Ruas da Cidade", com destaque para o violão de Hélio Delmiro. "Minha Esquina" (com João Nogueira) tem arranjo de Baden Powell que também assume o violão, com auxílio luxuoso de Copinha na flauta. O Baden parceiro está em "Mesa Redonda". Mauro Duarte divide com ele "Jogo de Angola", com arranjo do maestro Gaya. "Mãos Vazias" traz o violão e o arranjo do parceiro Eduardo Gudin, além do bandolim de Joel Nascimento. Sivuca assume o arranjo e a sanfona em sua "Mãe-África", que tem coro do grupo Viva Voz. Arranjada por Dori Caymmi, "Toada Brasileira" (com Ivor Lancellotti) traz Guinga ao violão. Este é parceiro em "Quadrão", novamente tendo como arranjador Dori Caymmi, parceiro de PCP em "Estrela da Terra". Maurício Tapajós é parceiro em "Estrela-Guia", na qual junta seu violão ao de Gudin e ainda cuida do arranjo. Coroando esses encontros, "Matita Perê", com participação do parceiro Tom Jobim e Radamés Gnatalli ao piano. Este LP foi relançado em CD numa pequena tiragem, acrescido de três faixas-bônus tiradas de seu primeiro disco de 1974. Uma boa oportunidade para ouvir a voz rouca, curtida na boêmia, deste poeta da música brasileira na companhia de seus principais parceiros.

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Domingo, Julho 20, 2003  

MEMÓRIA
Há 77 anos...

... nascia no morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, o músico e compositor Geraldo Soares de Carvalho. Tornou-se conhecido pelo apelido que ganhou na época que tocava flauta: Geraldo Babão. Compôs seu primeiro samba-enredo - "Terra Amada" - para a escola de samba Unidos do Salgueiro em 1940. Foi integrante da ala de compositores da Unidos de Vila Isabel e, mais tarde, da Acadêmicos do Salgueiro. Na Vila compôs os sambas-enredo de 1959 ("Castro Alves, poeta dos Escravos") e 1960 ("Imprensa Régia"). Obteve grande sucesso no Salgueiro com os sambas "Chico Rei" (20 lugar em 1964) e "História do Carnaval Carioca" (10 lugar em 1965). Concorreu em 1969 no Festival da Record com "Não interessa", defendida por Tânia, Luisa e Os Crioulos. Bamba do partido-alto, participou do LP "História das Escolas de Samba: Salgueiro" (Marcus Pereira/1974) cantando algumas de suas composições. Foi gravado por Roberto Ribeiro ("Samba do Sofá", parceria com Dicró), Os Cinco Crioulos ("Machucando o jiló"), Xangô da Mangueira ("Viola de Pinho"), Almir Guineto ("Fiz o que pude"), Mestre Marçal ("Mocotó com Pimenta"), entre outros.

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Sábado, Julho 19, 2003  

CD - lançamento
Orquestra Popular de Câmara - Danças, Jogos e Canções



A reunião de artistas talentosos na trilha de um projeto singular: a identidade musical de cada um se alterna a favor do grupo. O time de feras inclui Teco Cardoso (sopros), Banjamin Taubkin (piano), Guello e Caíto Marcondes (percussão), Ronen Altman (bandolim), além da voz de Mônica Salmaso. Este segundo CD - lançamento da gravadora Núcleo Contemporâneo - aprofunda a proposta do primeiro, de 1998. As músicas servem de mote para o desfile criativo do conjunto. No repertório, Hermeto Pascoal, Lennon & McCartney e clássicos como "Correnteza" (Tom Jobim/Luiz Bonfá) e "Tristeza do Jeca" (Angelino de Oliveira). Os músicos da orquestra também comparecem como compositores em "Jabaculê no Jabour" (Teco Cardoso), uma homenagem a Hermeto, "Malunga" (Caíto Marcondes), "O Circo Invisível de Fellini" (Mané Silveira), entre outras.

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HISTÓRIAS DA MÚSICA BRASILEIRA
Guerra Peixe abre caminhos para a bossa nova

"Porque gravam cantores resfriados?", perguntou o gerente de vendas diante dos representantes da Odeon. Na vitrola, o primeiro disco de um desconhecido João Gilberto, finalizado em 31 de agosto de 1958. Nem esperou "Chega de Saudade" terminar. Tirou o disco e estraçalhou na quina da mesa: "Então, é esta a merda que o Rio nos manda?" A aprovação do paulista Álvaro Ramos era essencial. Dele partia a ordem para que os vendedores das Lojas Assumpção, maior rede de discos do país, acionassem táticas capazes de vender bem qualquer coisa. Mas os funcionários da gravadora não desistiram. Sem saber ao certo as conseqüências do ato, arranjaram uma visita do cantor à casa do gerente. João tocou "Fibra de herói", do maestro Guerra Peixe. Quatro vezes. E Álvaro gostou. Naquele ano "Chega de Saudade" foi recordista de vendas nas Lojas Assumpção.

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Quinta-feira, Julho 17, 2003  

CD - lançamento
Revista do Samba



O trio paulista Revista do Samba, formado por Letícia Coura (voz e cavaquinho), Beto Bianchi (voz e violão) e Vitor da Trindade (percussão), já passou por festivais internacionais e se apresentou na França e na Alemanha. Aliás, este primeiro CD foi gravado em Berlim para o selo Traumton Records e já foi distribuído na Europa, EUA e Japão. O repertório faz uma antologia do samba, garimpando clássicos entre as décadas de 1930 e 1960. Estão presentes Noel Rosa ("Três Apitos"), Ataulfo Alves ("Leva meu samba"), Zé Keti ("A Voz do Morro"), Cartola ("O Sol Nascerá"), Assis Valente ("Por causa de você, yoyô"), entre outros. O CD pode ser adquirido diretamente da Rob Digital.

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Quarta-feira, Julho 16, 2003  

PERFIL
Vocalistas Tropicais



Conjunto vocal e instrumental organizado em Fortaleza em 1942, teve em sua formação definitiva os seguintes componentes: Nilo Xavier da Mota (arranjos, violão e vocal), Arlindo Borges (violão solo), Raimundo Evandro Jataí de Sousa (arranjos, viola e vocal), Artur Oliveira (violão, percussão e vocal) e Danúbio Barbosa Lima (percussão). Em 1944, já se apresentavam na Rádio Clube do Ceará. Foram para o Rio de Janeiro em 1945, onde assinaram contrato com a Rádio Mundial e trabalharam em diversos cassinos. O primeiro disco foi lançado em 1946 pela Odeon, com as músicas "Papai, mamãe, você e eu" (Paulo Sucupira) e "Tão fácil, tão bom" (Lauro Maia). O primeiro sucesso de Carnaval veio em 1949 com "Jacarepaguá" (Paquito/Romeu Gentil/Marino Pinto). Nos anos seguintes, mais sucessos da dupla Paquito e Romeu Gentil: "Daqui não saio" e "Tomara que chova". Participaram de diversos filmes, entre eles "Carnaval no Fogo" (1950), de Watson Macedo, e "Guerra ao samba" (1955), de Carlos Manga. Outro grande sucesso foi "Turma do Funil" (Mirabeau/Milton de Oliveira/Urgel de Castro), gravado na Copacabana para o carnaval de 1956. Em 1963, depois de alguns outros discos, o grupo se desfez.

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HISTÓRIAS DA MÚSICA BRASILEIRA
Do faroeste ao nordeste

O próprio Jackson do Pandeiro conta como nasceu seu apelido, já que seu nome de batismo é José Gomes Filho: "Na época eu brincava de artista, naquele tempo do cinema mudo. Então tinha aquele pessoal do faroeste, e todo menino fazia suas quadrilhas, de índio, de chefe de quadrilha, de bandido, e eu era então o Jack Perry. Comprei um chapelão de palha, um revólver de madeira, e a gente brincava... Depois fui crescendo, tinha que ajudar minha mãe a dar de comer à moçada e tive que trabalhar. Parei com a brincadeira mas fiquei com o nome Jack, só J-a-c-k. Comecei a tocar pandeiro e os caras: "- Comequié, e aí, Jack, Jack do Pandeiro... Fiquei sendo Jack do Pandeiro."

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Terça-feira, Julho 15, 2003  

CD - recomendo
Zé Luiz Mazziotti - Canta Chico Buarque



Ele é um dos maiores cantores do Brasil e talvez você não saiba disso. Novo? Tem mais de 30 anos de carreira! Este é seu sexto disco e traz somente canções do compositor de "Carolina" (aliás, uma das faixas do CD). Fugindo das obviedades, ele abre com "Embarcação" (parceria com Francis Hime) que ganha aqui uma interpretação definitiva, com um belo arranjo do violonista Marcus Teixeira. Chico Buarque avaliza, fazendo dueto com Zé Luiz em "Cadê Você" (parceria com João Donato). Outros parceiros presentes no repertório são Dominguinhos, com "Tantas Palavras", e Tom Jobim, com "Meninos, eu vi" e "Eu te amo". Esta última aparece com letra em francês (escrita pelo próprio Chico) e intitulada "Dis moi comment". O pianista Keco Brandão é o responsável pelo arranjo de "Mulher vou dizer quanto eu te amo", na qual o compositor derrama poesia: "Imagina o nosso espanto/ao ver a flor que cresceu tanto/pois no silêncio mentiroso/tão zeloso dos enganos/há de ser pura como o grito mais profano". Tem ainda "Almanaque", "As Vitrines", "Ela Desatinou" e "Estação Derradeira". Tudo isso na voz grave, aveludada, deste que é, repito, um dos maiores cantores que este país já produziu. Como é comum no mercado de hoje, os talentos ficam à margem e este disco é independente. Pode ser encomendado através do site do cantor.

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TV - destaque
Ensaio - Pedro Caetano



No mês em que se completa 11 anos da morte do sambista e compositor Pedro Caetano, a TV Cultura faz uma homenagem ao artista no programa Ensaio. Ele concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial em 1973, aos 62 anos.

O seu primeiro samba de sucesso, "Foi uma Pedra que Rolou", teve gravação em 1940 por Joel e Gaúcho. A partir daí suas composições foram interpretadas pelas vozes de maior prestígio da Era do Rádio, como Cyro Monteiro e Aracy de Almeida. Entre seus maiores sucessos estão "Onde Estão os Tamborins", "Sandália de Prata" e "É Com Esse Que Eu Vou".

TV Cultura - hoje - 22h30

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CD - fora de catálogo
Victor Assis Brasil - Jobim



Este disco foi gravado em 1970 e relançado em CD pela Atração mas já está praticamente fora de catálogo, sendo encontrado apenas no site da gravadora. Ele resgata o trabalho do saxofonista Victor Assis Brasil (1945-1981), que influenciou toda uma geração de instrumentistas brasileiros e não tem nenhum de seus discos em catálogo (The Legacy, relançado em CD na mesma época deste, também já saiu de circulação). Sua trajetória foi curta, porém produtiva: começou a tocar aos 17 anos e morreu aos 35, deixando inúmeras composições inéditas.

Jobim traz cinco faixas, sendo quatro delas composições de Antonio Carlos Jobim ("Wave", "Só Tinha de Ser Com Você", "Bonita" e "Dindi") e uma do próprio instrumentista, "Quartiniana", uma homenagem a Roberto Quartin, produtor do disco, que foi dono da gravadora Forma nos anos 1960/1970. É uma ótima oportunidade para conferir o som redondo e aveludado do sax e os improvisos de Victor, que tocou com feras como Dizzy Gillespie, Chick Corea e Ron Carter. Gravado durante suas férias no Brasil - nesta época ele estudava harmonia, arranjo e composição na Berklee - o disco traz na contracapa um texto assinado pelo próprio Tom Jobim.

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Segunda-feira, Julho 14, 2003  

HOMENAGEM - Rio de Janeiro
Carmem Costa - Um Patrimônio Nacional



A cantora Carmem Costa, um dos grandes símbolos da MPB, terá seu "tombamento simbólico" como patrimônio cultural do país, concedido pelo vereador Edson Santos e chancelado pelo Ministro da Cultura Gilberto Gil, representado pelo Prof. Ricardo Vieralves, presidente do Museu da República. Na França, na China e no Japão já existe uma lei que concede à pessoas com notório saber ou com bons serviços prestados à cultura, uma aposentadoria especial do estado para repassar seus conhecimentos aos mais jovens. No Brasil, a cantora Carmem Costa será a primeira artista a receber este benefício.

A homenagem acontecerá nesta terça, dia 15, no Museu da República, a partir das 19h.

Com 83 anos completados no dia 5 de janeiro deste ano, nascida em Trajano de Moraes, interior do Rio, com nome de batismo Carmelita Madriaga, a cantora Carmem Costa começou sua carreira cantando no coro da igreja local. Veio para o Rio e foi trabalhar como doméstica na casa do cantor Francisco Alves. Um dia após servir o jantar, ela pediu para cantar para a convidada especial da noite, que a aprovou de primeira. Nada mais nada menos que a grande Carmen Miranda. Logo foi submetida ao crivo do exigente Ary Barroso em seu programa de calouros e foi aprovada. Na década de 60 participou de shows nos EUA, Venezuela, Colômbia e também na memorável noite da bossa nova no Carnegie Hall.

O evento contará com a participação especial de Nelson Sargento, Áurea Martins e Delcio Carvalho, acompanhados pelos músicos Walter 7 Cordas, Márcio Almeida (cavaquinho), Silvão e Marco Basílio (percussão).

Museu da República - Rua do Catete, 153 - 2558.6350
Terça - 15 de julho - 19h

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COMPAY SEGUNDO
18/11/1907 - 14/07/2003



Máximo Francisco Repilado Muñoz nasceu em Siboney, uma aldeia costeira da região de Santiago, na zona oriental de Cuba. Muito cedo aprendeu a tocar tres (viola tradicional cubana, de três cordas metálicas duplas) e guitarra clássica, e aos 14 anos já integrava a banda municipal de Santiago como clarinetista.

Com 15 anos, compôs sua primeira canção, "Yo vengo aquí para cantar". Pouco depois empregou-se numa fábrica de charutos. Cedo Compay (diminutivo de compadre) se embrenha no mundo boêmio dos "trovadores" locais e torna-se conhecido pelo virtuosismo no armónico, uma viola de sete cordas (6 simples e 1 dupla, central) inventada por ele. A fama chega com o convite para integrar o grupo de Ñico Saquito, um dos grandes nomes do son cubano dos anos 30 e expoente máximo da música da região oriental. Com ele, Compay parte para Havana e está definitivamente lançado. Em 1936, toca com o Cuarteto Hatuey, no qual se destaca Evélio Machin (irmão do lendário António Machin). No volta de uma apresentação no México, grava o primeiro disco produzido em Cuba, com o Trio Cuba.

O Trio Matamoros é um dos nomes mais importantes da música cubana e latina das décadas de 40 e 50. E aí está "Compay" de novo, tocando clarinete como nos velhos tempos da banda de Santiago. Integrou o Trio por doze anos, até criar, com Lorenzo Hierrenzuelo, o duo Los Compadres, a que deve desde então a alcunha de "Compay Segundo" (porque tocava guitarra solista e fazia a 2ª voz). Até meados da década de 50 o grupo anima diariamente um programa de rádio caracterizado pelo humor e pela picardia, muito popular entre os camponeses da ilha e os habitantes dos bairrros pobres de Havana. Os "Compadres" são então uma espécie de "trovadores do povo", e Compay torna-se progressivamente um dos cantores/compositores mais amados pelo público cubano.

Uma vez desfeito o duo, ele abandona a música e volta ao seu trabalho na fábrica de charutos. Chega a revolução cubana e Compay parte para a China, onde passa dois anos estudando técnicas agrícolas. Já reformado, em 1970, volta a Santiago e durante algum tempo toca com o recém-criado Cuarteto Daiquiri ou com o já famoso Cuarteto Patria. Com este grupo cantará pela primeira vez em público, durante um festival organizado pelo prestigiado Smithsonian Institute, nos EUA, em 1989, a canção "Chan Chan", rapidamente transformada num das mais populares músicas cubana, gravada por diversos cantores.

Ficou mundialmente conhecido ao participar do projeto do produtor Ry Cooder, o CD e filme "Buena Vista Social Club", ao lado de outros nomes da velha guarda cubana como Ibrahim Ferrer, Elíades Ochoa e Rubén González.

Com o sucesso deste projeto, gravou outros discos, sendo o último "Duets", no qual canta com Cesaria Evora, Pablo Milanés, Charles Aznavour, entre outros.

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Domingo, Julho 13, 2003  

DISCOGRAFIA COMENTADA
Mônica Salmaso



Afro-Sambas - com Paulo Bellinati (Pau Brasil/1995)
Este disco foi lançado inicialmente nos EUA pela gravadora GSP, que já havia lançado outros discos do violonista Paulo Bellinati. Em seguida saiu no Brasil pela Atração e depois pela Pau Brasil. Traz apenas o violão de Bellinati e a voz marcante de Mônica, recriando os afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, registrados originalmente em um LP de 1966, entre eles "Tristeza e Solidão" e "Canto de Ossanha". O repertório - arranjado e produzido por Bellinati - traz ainda três músicas que não estão no LP original, mas que tem o espírito dos afro-sambas, "Consolação", "Labareda" e "Berimbau".

Trampolim (Pau Brasil/1998)
Produzido por Rodolfo Stroeter, o CD abre com "Canto dos Escravos" (domínio público), um canto de trabalho (vissungo) que era entoado pelos negros ao começarem o trabalho, tendo apenas os vocais da cantora e percussão e vozes de Naná Vasconcelos. Outra canção tradicional é "Bate Canela" (domínio público), na qual se ouve novamente o talento de Naná Vasconcelos, acompanhado pelos teclados de Lelo Nazario. O duo com Paulo Bellinati se repete aqui em "Tajapanema - Foi bôto sinhá" (Waldemar Henrique/Antônio Tavernard), "O Bem do Mar" (Dorival Caymmi) e "Saci" (Guinga/Paulo César Pinheiro), esta última com um arranjo do violonista que assume também o violão de aço, a viola, o cavaquinho e ainda produz um resultado sonoro original com uma percussão nos violões. O sax soprano de Teco Cardoso é o destaque em "Tuaregue e Nagô" (Lenine/Bráulio Tavares). O poema de Fernando Pessoa "Na Ribeira Deste Rio", musicado por Dori Caymmi, ganha um clima melancólico com o acordeon de Toninho Ferragutti. O repertório tem ainda Edu Lobo e Chico Buarque, Paulo César Pinheiro (com Mario Gil e Vicente Barreto) e José Miguel Wisnik e Ronaldo Bastos.

Voadeira (Eldorado/1999)
Gravado como resultado do Prêmio Visa - Edição Vocal, do qual a cantora foi vencedora em 1999, foi indicado ao Prêmio Sharp e deu a Mônica o prêmio de melhor cantora do ano pela APCA. Mais uma vez, Rodolfo Stroeter é o produtor e aparece também como compositor em "Dançapé", parceria com Mario Gil. Como músico, ele é responsável por um duo original com a cantora (voz e baixo) em "Beradêro" (Chico César). Outro grande momento é o duo - desta vez de voz e pandeiro - com Marcos Suzano em "Ilu-Ayê" (Cabana/Norival Reis). A cantora resgata uma belíssima parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro ("Senhorinha"), acompanhada pelo violão de Paulo Bellinati. O repertório tem pérolas como "Canto em Qualquer Canto" (Ná Ozzetti/Itamar Assumpção) e "Silenciosa" (Fatima Guedes). Canções que se supunham esgotadas, como "Valsinha" (Chico Buarque), "O Vento" (Dorival Caymmi) e "Ave Maria no Morro" (Herivelto Martins) ganham uma interpretação original, com a marca da cantora.

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HISTÓRIAS DA MÚSICA BRASILEIRA
Conselho de Aracy

Estavam Aracy de Almeida e Hermínio Bello de Carvalho na casa de Tom Jobim. Tinham ido buscar repertório para um novo disco, já que o projeto pretendido, um disco só com músicas de Cartola, havia gorado por completo. Este fato havia deixado Aracy muito triste e (ainda mais) mal-humorada. Depois de ouvir o maestro ao piano e de alguma conversa, ela vira-se pra Hermínio e decreta: "Vamos nos pirulitar, Bello Hermínio?". Era a senha para sair dali antes que seu humor acabasse tomando conta do ambiente. E lá se foram rumo ao Encantado. Ao chegar, ainda na porta, aconselha: "Andas precisando ler o Velho Testamento, Bello Hermínio. É do caralho!"

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Quinta-feira, Julho 10, 2003  

CD - lançamento
Ataulfo Alves - Talento não tem idade



Este é o quarto CD da obra musical de Ataulfo Alves que a gravadora Revivendo lança, dando sequência a preservação de sua obra. Este álbum contém gravações de 1933, ano em que Ataulfo começou a gravar, até 1960, ainda longe do fim de sua carreira de compositor. São 21 faixas:

1. Tempo Perdido - (Ataulfo Alves) - Carmen Miranda
2. Não Posso Resistir - (Ataulfo Alves) - Carlos Galhardo
3. É Negócio Casar!... - (Ataulfo Alves - Felisberto Martins) - Ataulfo Alves
4. Sinhá Maria Rosa - (Roberto Martins - Ataulfo Alves) - J. B. de Carvalho
5. Perdi a Confiança - (Rubens Soares - Ataulfo Alves) - Luiz Barbosa
6. Boêmio - (Ataulfo Alves - J. Pereira) - Ataulfo Alves e Suas Pastoras
7. Eu Conheço Você... - (Roberto Martins - Ataulfo Alves) - Aurora Miranda
8. Meu Pranto Ninguém Vê - (Ataulfo Alves - José Gonçalves) - Orlando Silva
9. Quem é Que Não Sente - (Ataulfo Alves - Afonso Teixeira) - Vocalistas Tropicais
10. Vida da Minha Vida - (Ataulfo Alves) - Ataulfo Alves
11. Covardia - (Ataulfo Alves - Mário Lago) - Nuno Roland
12. Já Sei Sorrir - (Ataulfo Alves - Claudionor Cruz) - Sylvio Caldas
13. Você é Meu Xodó - (Ataulfo Alves - Wilson Batista) - Cyro Monteiro
14. Continua - (Ataulfo Alves - Marino Pinto) - Aracy de Almeida
15. A Carta - (Ataulfo Alves) - Ataulfo Alves e Suas Pastoras
16. Não Sei Dizer Adeus - (Ataulfo Alves - Wilson Batista) - Déo
17. Saudades da Mulata - (Ataulfo Alves) - Vagalumes do Luar
18. Dilema - (Ataulfo Alves - J. Santa) - Walter Levita
19. Lírios do Campo - (Ataulfo Alves - Peterpan) - Jorge Goulart
20. Mulata Assanhada - (Ataulfo Alves) - Elizete Cardoso
21. Talento Não Tem Idade - (Ataulfo Alves) - Ataulfo Alves e Suas Pastoras

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Quarta-feira, Julho 09, 2003  

ARQUIVO
"Tiro de Misericórdia" mata João Bosco. Pois viva Aldir Blanc!
por José Ramos Tinhorão (Jornal do Brasil, 14/01/1978)

Em seu quarto LP, intitulado Tiro de Misericórdia (RCA Victor 103.0228), a dupla de compositores João Bosco e Aldir Blanc vem confirmar uma impressão que se reforçaria desde sua estréia, em 1973, até o ponto de uma conclusão definitiva a partir do terceiro disco, Galos de Briga, de 1976: embora o autor das músicas, João Bosco, ganhe as honras do estrelato, o grande artista da dupla é o autor das letras, Aldir Blanc.

De fato, basta ouvir com atenção as 11 faixas deste Tiro de Misericórdia para se perceber, num confronto de qualidades específicas, como o letrista Aldir Blanc é realmente um poeta, e seu pobre parceiro João Bosco não passa de um musiquim.

Experimentem acompanhar a audição de cada faixa separando a letra da música. O que nos mostram os versos de Aldir Blanc? Mostram não apenas um poeta moderno, armado em nível de mestre no artesanato das palavras, mas um observador profundo e fino das realidades brasileira e carioca, que sabe jogar com a linguagem popular para atingir ao refinado e preciso humor de um jogral especialista em escárnios e sirventes. A mesma linha de humor social que, passando por Gil Vicente, viria até a nossa linhagem de satiristas iniciada em Gregório de Matos Guerra e continuada em Martins Pena, em Manuel Antônio de Almeida e em França Júnior.

Assim, vamos ao Gênesis, que abre o LP, e vemos no Natal de mais um Jesus da pobreza malandra brasileira que ele nasce "de teimoso", em meio ao "Barro, ao invés de incenso e mirra", num dia em que "chovia canivete". Em Jogador, poema de estrutura enxuta, evitando até artigos e preposições, descobre-se a intenção descritiva do movimento de jogadores e assistentes de uma partida de sinuca (onde o jogador como que joga sempre a própria vida em cada partida, porque aquela é sua arte e sustento): "Olha a mesa,/Olha o quadro,/Olha firme/No olhar do parceiro.../Olha o taco,/Olha o roubo,/Confere o dinheiro/E não chia/Que bom jogador/Joga o jogo".

Naturalmente, as pessoas criadas em meios refinados, que nunca entraram num bar de sinuca, onde se reúne a humanidade descrita nos contos do livro Malagueta, Perus e Bacanaço, de João Antônio, esses pobres seres de vida empobrecida jamais perceberão em toda sua carga de sugestão o sentido dessa conclusão que esconde o segredo de um hai-kai popular: "Que o bom jogador/Joga o jogo". É o que há de mais orgulhoso e fatalista em matéria de filosofia que toma o jogo como vida: quer dizer, o bom jogador aceita o jogo das circunstâncias, para o melhor ou para o pior, porque, afinal, tem que ser assim porque será sempre assim, e "malandro que é malandro não estrila", e "bom cabrito não berra", e "o que tinha que ser já era".

Vai-se ao Falso Brilhante e encontra-se esta jóia de poesia verdadeira: "O amor/Sempre foi o causador/Da queda da trapezista". Assim como em Tempos do Onça e da Fera se pode descobrie a velha imagem de Orestes Barbosa das "roupas comuns dependuradas" que "pareciam bandeiras agitadas", magicamente fundida na visão do avô que saía de casa envolto no carinho da família de Vila Isabel vestindo "o sol do quarador" e, passando entre as luzes e cores das roupas estendidas, pirava um momento pelo quintal como um duende "tecido em goiabeiras, sabiás,/Cigarras, vira-latas, e um amor...". Ouve-se o Sinal de Caim e depara-se com o achado de "E o revólver não pára,/E o chapéu do mocinho/Não cai da cabeça". Da mesma forma que em Vaso Ruim Não Quebra, com o achado poético dos versos: "Nossa paixão se amarrou/Que nem um nó na garganta" (com palmas especiais para a expressão "que nem"). Ouve-se Plataforma e lá está, a partir do título, toda uma proposta filosófico-política quase anárquica e algo idealista, mas de qualquer forma carregada de intenções de valorização da vida e das pessoas, que se deve querer como "passistas à vontade/que não dancem o minueto" (ditado pelas estruturas alienantes, naturalmente).

Depois desse exercício, recolocando o disco no prato, reouça-se o LP esquecendo as letras de Aldir Blanc e ouvindo as músicas feitas para elas, ou por elas vestidas. E o que soa, então, capaz de comparar-se musicalmente à originalidade e criatividade dos versos?

Para começar, o samba, Vaso Ruim Não Quebra é montado no início do sucesso de carnaval de 1950, Se é Pecado Sambar, de Manoel Santana, gravado por Marlene. Sinal de Caim é um samba-choro de fraseado tão batido nos primeiros anos em que esse gênero foi cultivado (ou seja, a partir de inícios da década de 30), que é possível cantar junto, logo à primeira vez que se ouve. Tempo do Onça e da Fera é um samba-canção da era de influência dos fox-blues cultivado por Dick Farney, a quem deveria ser entregue a interpretação desta música, se não fosse abusar dos contrastes ideológicos. Jogador é um reles sambinha de bossa nova imitando o popular. Tiro de Misericórdia e Gênesis são espécies de macumbas-para-turistas-musicais, no sentido da crítica de Oswald de Andrade. E, finalmente, Falso Brilhante, Bijuterias e Tabelas são boleros, gênero em que, realmente, João Bosco se revela à vontade.

Em conclusão - e considerando que o divórcio já foi aprovado - a melhor coisa que poderia acontecer em benefício da família da música popular brasileira mais respeitável seria a separação amigável entre João Bosco e Aldir Blanc. Afinal, somo João Bosco há de concordar, fazer letras para boleros, samba-canções americanizados ou sambinhas com plec-plec de acompanhamento de violão bossa nova qualquer um faz. Por que gastar o imenso talento, sentido poético, de humor e de compreensão humana de Aldir Blanc com tão pouco?

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CD - lançamento
Jobim Sinfônico



A arte de Antonio Carlos Jobim esteve sempre próxima, em sua sofisticação, da música de concerto. Profundos conhecedores desse veio específico de sua obra, os compositores e arranjadores Mario Adnet e Paulo Jobim, filho de Tom, adaptaram para orquestra sinfônica 17 composições do maestro carioca.

O resultado desta garimpagem é a gravação de um álbum duplo e um DVD na Sala São Paulo, em concertos realizados nos dias 9 e 11 de dezembro de 2002, com a participação de 70 músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência do maestro Roberto Minczuk. A Orquestra formada por membros da OSESP tem o reforço dos violões de Mario Adnet e Paulo Jobim; de uma banda de base formada pelos músicos Marcos Nimrichter, Zeca Assumpção e Duduka da Fonseca; além dos instrumentistas Léa Freire, Paulo Guimarães, Nailor Proveta, Teco Cardoso, Benjamim Taubkin, coro (Jurema de Cândia, Cecília Spyer, Maúcha Adnet, Muíza Adnet) e intérpretes convidados (Milton Nascimento, Maúcha Adnet e Muiza Adnet). O lançamento é da Biscoito Fino.

No repertório estão a inédita "Lenda", escrita em 1954, e quatro movimentos da ópera "Orfeu da Conceição" (1956), que marcou a estréia de uma das parcerias centrais da música popular brasileira: Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Além de quatro movimentos de "Brasília, Sinfonia da Alvorada", encomenda do então presidente Juscelino Kubitschek à dupla para a festa de inauguração da capital federal, em abril de 1961. A sinfonia não pôde ser estreada no espetáculo grandioso de som e luz que estava previsto: foi lançada em disco com pequena tiragem e teve apenas duas execuções públicas: em 1966, pela TV Excelsior de São Paulo, e em 1986, na Praça dos Três Poderes.

Grandes sucessos também entraram na seleção de Mario Adnet e Paulo Jobim, entre eles "Matita Perê" (de 1973, com letra de Tom Jobim e Paulo César Pinheiro, cantada aqui por Milton Nascimento); "A Felicidade" (1959), com arranjo de Nelson Riddle, aqui interpretada por Maúcha Adnet, e "Garota de Ipanema" (1962), uma das músicas mais executadas no mundo inteiro, num arranjo instrumental de Eumir Deodato feito exclusivamente para o filme homônimo. Composta para o filme de Paulo César Saraceni, a "Crônica da casa assassinada" (1973) em quatro movimentos, foi registrada originalmente no disco "Matita Perê" com 12 violinos e cinco cellos. Nesta releitura sinfônica, ganha violas em determinadas frases melódicas e cinco contrabaixos, liderados pelo piano de Benjamim Taubkin.

"Lenda" foi composta para o programa "Quando os maestros se encontram", da Rádio Nacional. "Macumba" foi escrita para "Orfeu da Conceição", mas acabou ficando de fora da versão final da peça de Jobim e Vinicius. Outro destaque é "Prelúdio", que se mantinha inédita até agora. Trata-se de uma composição escrita em homenagem ao também pianista Evandro Rosa, amigo de juventude de Tom. Foi o próprio Rosa quem cedeu a descoberta para o projeto, depois de vasculhar incansavelmente seus arquivos pessoais atrás das partituras perdidas. Além do concerto na íntegra, também registrado no CD, o DVD traz uma entrevista com o pianista, colega de Tom nas aulas com a professora Lúcia Branco. Há depoimentos de Mario Adnet, Paulo Jobim e do maestro Roberto Minczuk, com imagens do making of do concerto e dos ensaios.

Há cerca de cinco anos Mario Adnet vem perseguindo esta idéia que passou por formatos diferentes. Há dois anos em parceria com Paulo Jobim, finalmente tomou a forma atual. Debruçados nos arquivos do Instituto Jobim, o trabalho foi desenvolvido a partir das partituras originais, manuscritas pelo próprio Tom, por Claus Ogerman, Eumir Deodato e Nelson Riddle. Desde o início, o objetivo maior, além de registrar o espetáculo em CD e DVD, era disponibilizar as partituras para orquestras sinfônicas de todo o mundo, que tenham interesse em executar a obra de Antonio Carlos Jobim.

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Terça-feira, Julho 08, 2003  

PERFIL
Bahiano



Manuel Pedro dos Santos nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, no dia 5 de dezembro de 1870. Cantor e compositor, foi figura de fundamental importância em momentos históricos do início das gravações no Brasil. Fez parte do primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, pioneira na gravação de discos de gramofone, ao lado de Cadete, Nozinho, Mário Pinheiro e Eduardo das Neves. É dele a voz na primeira gravação em disco no Brasil em 1902, o lundu "Isto é bom", de Xisto da Bahia. Em 1916, gravou o primeiro samba, "Pelo Telefone", de Donga. Trabalhou como cançonetista no teatrinho do Passeio Público e no Circo Spinelli. Foi casado com Almerinda Pedro dos Santos, a quem dedicou a valsa "Dores Íntimas". Teve inúmeros sucessos até meados da década de 1920, entre eles a modinha "Perdão Emília" (Eduardo das Neves), o tango "As Laranjas de Sabina" (Arthur Azevedo), a toada "Caboca de Caxangá" (Catulo da Paixão Cearense/João Pernambuco) e a marcha "Ai, Filomena" (J. Carvalho Bulhões). Morreu no Rio de Janeiro em 15 de julho 1944.

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CD - recomendo
Lena Verani e Luiz Flavio Alcofra - Confidências



Há três anos, a clarinetista Lena Verani e o violonista Luiz Flavio Alcofra foram convidados a fazer uma temporada em homenagem a Pixinguinha. Com o sucesso das apresentações, a temporada foi estendida por mais um mês, desta vez homenageando Ernesto Nazareth. Assim nasceu a idéia deste CD que transpõe a obra do compositor do piano para o clarinete e o violão. O violonista Maurício Carrilho apresenta o disco:

A obra pianística de Ernesto Nazareth é uma das mais belas e inspiradas da música brasileira de todos os tempos. Embora tenha sido freqüentada, através dos anos, por intérpretes de grande qualidade, nem sempre as adaptações para outros instrumentos obtiveram resultado satisfatório. Na verdade algumas são verdadeiros desastres. Ao contrário das mal sucedidas abordagens, Lena e Luiz Flavio dão, neste CD, uma verdadeira aula de como lidar com a música de Nazareth. Ele soa sempre fluente, em alguns momentos com um sopro de contemporaneidade, mas sem nunca perder a aura e a elegância de clássica brasileira. Para isso, além da atuação dos intérpretes, contribuiram, decisivamente, os arranjadores que participaram deste trabalho. Todos craques consagrados, que derramaram nas pautas sua sabedoria, sempre muito bem tratada pelo Luiz, Lena e músicos convidados.

Os músicos convidados são Rui Alvim (clarone em "Tenebroso"), David Chew (cello em "Fidalga"), Paulino Dias (percussão em "Atlântico e "Mandinga"), Jayme Vignoli (cavaquinho em "Escovado") e Marcílio Lopes (bandolim em "Atlântico"). Estes dois últimos também são responsáveis pelos arranjos juntamente com o próprio Luiz Flavio e Bia Paes Leme. O repertório traz ainda "Carioca", "Ameno Resedá", "Labirinto", "Floraux", entre outros temas.

Um show de delicadeza em um trabalho que merece ser ouvido.

Contato sobre o CD: lfalcofra@brfree.com.br

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Segunda-feira, Julho 07, 2003  

MEMÓRIA
Há 74 anos...

...nascia o acordeonista e compositor Mário Gennari Filho. Estreou em rádio aos 8 anos e com 14 gravou seu primeiro disco. Em sua passagem por gravadoras como a Columbia, Continental e Odeon, gravou choros, polcas, maxixes, valsas, entre outros gêneros. De sua autoria, "Baião Caçula" foi grande sucesso em 1952, tendo quatro gravações neste mesmo ano. Com seu grupo, foi responsável pelo acompanhamento no LP de estréia da cantora Celly Campelo. Trabalhou nas rádios Bandeirantes e Tupi. Tornou-se professor e manteve um conservatório, responsável pela formação de diversos instrumentistas. Ganhou várias vezes o prêmio Roquette Pinto como melhor solista instrumental. Faleceu em 1989. A gravadora Revivendo lançou em 1994 um CD com suas gravações e composições.

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LETRA
O Quilombo (Lenine)

Antes de ficar conhecido do grande público, Lenine já mostrava seu trabalho como compositor em discos de outros intérpretes. Esta música foi gravada por Selma Reis em 1990.

Saiu do Congo num navio negreiro
Baixou no litoral
Batuque e banzo no chão do terreiro
Pra suportar o mal
Correu, fugiu, sofreu e subiu o morro
E o horizonte era o fundo de quintal
Os atabaques gritaram na macumba
No tom dos ancestrais
Na voz do blues, no rebolado da rumba
Tem negro por detrás
Vem invadindo todas as fronteiras da história
Rumo ao futuro, driblando o temporal
Minha terra tem Palmares
Onde Zumbi foi eleito
Os negros que lá quilombaram
Sambavam do mesmo jeito
Mas a negrada é pau pra toda obra
E, é de decidir
Quem sabe samba e quem não sabe, sobra
Ou paga pra assistir
Pela avenida, a força e o suor da negra
Mão nas cadeiras, fazendo o carnaval


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Domingo, Julho 06, 2003  



CURIOSIDADE
De como a atriz virou cantora

Em 1959 Norma Benguell era estrela da companhia de Carlos Machado e uma das mulheres mais desejadas do país. Sem autorização, a Odeon usara uma foto da atriz de maiô na capa de um disco. Com a ameaça de um processo, a gravadora resolve oferecer à atriz uma oportunidade de gravar um disco. Ela aceita e assim surge Oooooh! Norma. Na contracapa, a gravadora providenciou um texto para explicar o porquê de lançar uma atriz como cantora, claro, escamoteando o real motivo:

Na produção normal de uma Fábrica Gravadora, ocasiões se apresentam que nos levam a provar que não existem fronteiras quando se trata de talento. O disco pode e deve transmitir ao público qualquer tipo de personalidade. E procura fazer isso somente com o sentido da audição, sem a ajuda de nossa visão e o que "ela" nos pode oferecer de cor e beleza. Este LP foi providenciado com esta finalidade: procurar captar, unicamente, em som, o talento indiscutível de Norma Benguell. Confiamos na inteligência e imaginação do ouvinte deste disco, certos de que uma surpresa bastante agradável os espera.

Na capa, o design de Cesar Villela (responsável pelas capas da Elenco) sobre foto (ousada para a época) de Chico Pereira. Convidada pelo pessoal da bossa nova para participar de seu primeiro show, Norma acabou se envolvendo em uma polêmica. A faculdade onde o show iria acontecer proibiu a participação da atriz por considerá-la pouco católica. A imprensa e os estudantes reagiram à proibição e o show acabou sendo transferido para outra faculdade, obtendo enorme sucesso.

O curioso é que Oooooh! Norma não é um disco de bossa nova. Tem samba-canção, fox, bolero, tudo vestido pelos arranjos do maestro Gaya. Das doze faixas, sete são estrangeiras, entre elas "This can't be love", "C'est si bon", "Drume negrita" e uma interpretação de "Fever", copiada em detalhes da criação original de Peggy Lee. As canções que mais se aproximam do estilo - que acabara de ser lançado no mesmo ano com o LP "Chega de Saudade" - são "Eu sei que vou te amar" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes), "Eu preciso de você" (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), a maliciosa "Sente" (Chico Feitosa/Ronaldo Bôscoli) e uma composição de João Gilberto, "Hô-bá-lá-lá".

A verdade é que Norma cantava muito melhor do que a Odeon acreditava, mas a gravadora parecia não estar interessada em nada além de evitar o tal processo. Ela volta a aparecer em 1965 em um dueto com Dick Farney na canção "Você", que se tornaria uma gravação clássica. Em 1977, lançou pela Elenco um disco só com músicas de compositoras que não teve nenhuma repercussão e encerrou a carreira de cantora da atriz.

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Sábado, Julho 05, 2003  

CD - o que vem por aí
Relançamentos EMI

A gravadora EMI promete para este mês mais um pacote de relançamentos com alguns títulos inéditos em CD. Não se trata de uma série, mas lançamentos avulsos. Entre os inéditos, alguns destaques:

Dick Farney - Penumbra Romance
Lançado em 1972 pelo selo London/Odeon, traz no repertório canções que se tornaram clássicos na voz do cantor como "Marina" (Dorival Caymmi), "Perdido de Amor" (Luiz Bonfá), "Tereza da Praia" (Billy Blanco/Tom Jobim) em dueto com Lucio Alves, "Uma Loura" (Hervé Cordovil) e "Copacabana" (Alberto Ribeiro/João de Barro).

Dalva de Oliveira
Embora seja uma compilação, traz - além dos sucessos - algumas gravações que não estão presentes nas coletâneas Bis e Meus Momentos lançadas anteriormente. São elas: "Velhos Tempos" (Marino Pinto/Carlos Lyra), "Dois Corações" (Valdemar Gomes/Herivelto Martins), "Mentira de Amor" (Lourival Faissal/Gustavo de Carvalho), "Yira, Yira" (E.S.Discepolo), "Pastorinhas" (João de Barro/Noel Rosa), "Zum zum" (Fernando Lobo/Paulo Soledade), "Minueto" (Benedito Lacerda/Herivelto Martins) e "Rancho da Praça Onze" (Chico Anísio/João Roberto Kelly), todas tiradas de um LP de 1973 chamado "O Amor é o Ridículo da Vida".

Cesar Camargo Mariano - Cesar Camargo Mariano & Cia
Com um repertório autoral, este disco de 1980 apresenta parcerias do pianista com Tunai ("Cantareira"), Perinho Santana ("Reflexo", tema do filme "Eu Te Amo") e Nathan Marques ("Jingle" e "Nabanera").

Waldir Azevedo - Os Grandes Sucessos de Waldir Azevedo
O cavaquinista mostra todo seu talento em composições próprias como "Brasileirinho", "Chorinho Antigo", "Atrevido" e "Pedacinhos do Céu" e de outros compositores como Pixinguinha ("Lamento") e Canhoto ("Abismo de Rosas").

Sá, Rodrix & Guarabyra
Este CD compila os dois discos do trio, "Passado, Presente e Futuro" (1972) e "Terra" (1973), com canções como "Zepelin", "Hoje é dia de rock", "Cumpadre meu", "Mestre Jonas", "Pindurado no vapor", entre outras.

Taiguara - Hoje
Original de 1969, traz interpretações para músicas de Dolores Duran ("Fim de Caso" e "Castigo"), Tom Jobim ("Esquecendo Você"), Milton Nascimento ("Tarde") e Aldir Blanc ("Nada sei de eterno"). O compositor comparece com "Hoje" (que se tornaria um de seus maiores sucessos) e "Tributo a Jacob do Bandolim".

Alguns discos lançados em CD, mas que já estavam fora de catálogo, estão de volta. Entre eles:

Antonio Adolfo e A Brazuca
Segundo disco do conjunto liderado pelo pianista Antonio Adolfo, responsável pela maioria das composições, algumas em parceria com Tibério Gaspar ("Cláudia", "Pela Cidade", "Cotidiano" e "Caminhada"). É de 1971.

Dick Farney & Claudette Soares - Tudo Isto é Amor
O encontro de Dick e Claudette gerou dois LPs. Esse primeiro, de 1976, tem Tom Jobim ("Este seu olhar" e "Fotografia"), Johnny Alf ("O que é amar"), Sergio Ricardo ("O nosso olhar"), entre outros.

Milton Banana Trio - Balançando
O trio liderado pelo baterista Milton Banana apresenta neste disco de 1966 um repertorio que tem como destaques "Cidade Vazia" e "Feitinha pro Poeta" (ambas de Baden Powell e Lula Freire), "Aruanda" (Carlos Lyra/Geraldo Vandré), "Sonho de um carnaval" (Chico Buarque) e "Tristeza" (Haroldo Lobo/Niltinho).

Maysa - Canecão apresenta Maysa
Lançado no ano passado com uma capa diferente, volta agora com a capa original. Tem todos os grandes sucessos da cantora, "Ouça" e "Meu mundo caiu" (Maysa), "Demais" e "Dindi" (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), além de interpretações marcantes para "Ne me quitte pas" e "Light my Fire.

Joel Nascimento - Chorando pelos Dedos
O exímio bandolinista lançou este disco em 1976 com um repertório que passeia por diversos autores como Baden Powell ("Apelo"), Abel Ferreira ("Chorinho do Suvaco de Cobra"), Tom Jobim ("Wave"), Guinga ("Valsa de Realejo"), Chico Buarque ("Carolina"), Lupicinio Rodrigues ("Conselho") e João Nogueira ("Tempo à beça").

Clementina de Jesus - Clementina & Convidados
Com uma belíssima capa de Elifas Andreato, esse disco de 1979, produzido por Fernando Faro, tem como convidados Cristina Buarque, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Bosco, Martino da Vila, D. Ivone Lara, Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro . Os destaques do repertório são "Tantas você fez" (Candeia), "Papel Reclame" (Nelson Sargento), "Na Hora da Sede" (Luis Américo/Braguinha) e "Olhos de Azeviche" (Jaguarão). Como faixas-bônus, "Marinheiro só" (Caetano Veloso) e "Mironga de Moça Branca" (folclore) com Pixinguinha e João da Bahiana.

Clara Nunes - Canto das Três Raças
A faixa-título, parceria de Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro, abre este disco lançado em 1976 que tem ainda "Tenha Paciência" (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito), "Meu Sofrer" (Bide/Marçal), "Ai quem me dera" (Vinicius de Moraes), "Basta um dia" (Chico Buarque) e "Lama" (Mauro Duarte). Participação de Clementina de Jesus em "Embala eu".
Clara Nunes - Claridade
Clássicos na voz da cantora, "O Mar Serenou" (Candeia) e "Juízo Final" (Nelson Cavaquinho/Élcio Soares) estão neste disco de 1975 que traz ainda o sucesso "A Deusa dos Orixás" (Toninho/Romildo). Destaque para "Ninguém tem que achar ruim" (Ismael Silva), "Que seja bem feliz" (Cartola), "Vai Amor" (Monarco/Walter Rosa) e "Sofrimento de quem ama" (Alberto Lonato).

Clara Nunes e Paulo Gracindo - Brasileiro Profissão Esperança
Realizado no Canecão em 1974, o espetáculo "Brasileiro, Profissão Esperança", de Paulo Pontes, dirigido por Bibi Ferreira, ficou quase um ano em cartaz e virou disco. O repertório é centrado nas composições de Dolores Duran ("Castigo", "Fim de Caso", "Solidão", "A noite do meu bem", "Estrada do Sol") e Antonio Maria ("Ninguém me ama", "Manhã de Carnaval", "Valsa de uma Cidade", "Se eu morresse amanhã de manhã").

Simone - Gotas D'Água
Produzido por Hermínio Bello de Carvalho e Milton Nascimento, este disco de 1975 destaca algumas parcerias: Joyce e Danilo Caymmi em "Nosotros", Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro em "Samba pro João Gilberto", Milton Nascimento e Fernando Brant em "Outubro" e Idolatrada", João Bosco e Aldir Blanc em "Latin Lover". Traz ainda uma curiosa interpretação de "Sistema Nervoso" (Wilson Batista/R. Roberti/A. Marques Jr) e o vocal de Milton em "Gota D'Água" (Chico Buarque).

Som Imaginário
Banda de rock progressivo que teve em sua formação nomes como Wagner Tiso, Robertinho Silva, Toninho Horta, Naná Vasconcelos, Novelli e Zé Rodrix, lançou este disco em 1970. "Feira Moderna" (Beto Guedes/Fernando Brant) e "Hey man" (Tavito/Zé Rodrix) estão entre as músicas mais conhecidas do repertório.

Wilson Simonal - Alegria! Alegria! vol. 4
Os três primeiros volumes foram lançados recentemente na caixa Brasil de A a Z. Completando a coleção, este disco de 1969 traz o Jorge Ben de "País Tropical" e "Que Maravilha" (parceria com Toquinho) e compositores constantes no repertório do cantor como Antonio Adolfo, Tibério Gaspar e Nonato Buzar.

Outros artistas que tem seus discos relançados nesse pacote são Alceu Valença (Andar Andar e 7 Desejos), Nana Caymmi (Bolero e Voz e Suor), Gonzaguinha (Caminhos do Coração e De Volta ao Começo), Paulinho da Viola (Zumbido, Memórias Chorando e Memórias Cantando), Beto Guedes (Sol de Primavera e Amor de Índio), 14 Bis (14 Bis e Espelho das Águas), entre outros.

A coleção "Odeon 100 Anos" ainda vai lançar mais 25 discos este ano. Em breve divulgarei aqui os títulos. Aguardem.

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Sexta-feira, Julho 04, 2003  

PERFIL
Vassourinha



Ele nasceu Mário Ramos de Oliveira em 16 de maio de 1923 em São Paulo, filho de Mauro Almeida Ramos e Teresa Dias de Assunção, dados colhidos de sua carteira profissional, único registro encontrado.

Jaime Faria da Rocha, redator de textos comerciais da Rádio Record, vivia dizendo que na pensão onde morava havia um garoto com muito ritmo, cantor e tocador de pandeiro. No dia 10 de novembro de 1936, aos 12 anos de idade, foi admitido na rádio como contínuo, com salário de cem mil réis, no horário das 8 às 18 horas. À noite apresentava-se nos programas da emissora. Antes, em 1935, havia participado do filme "Fazendo Fita", último trabalho do diretor italiano Vittorio Capellaro, no qual se destacavam Alzirinha Camargo e a dupla Alvarenga e Ranchinho.

Ele começou cantando com o nome de Juracy, nome que servia tanto para homem como para mulher, já que sua voz tendia para timbres agudos, infantis. Em 1938, começou a intensificar suas atividades de cantor. O salário passou a ser de 300 mil réis e fazia muito sucesso cantando em dupla com Haidê Marcondes.

Houve um momento em que o nome Juracy já não lhe cabia bem, sendo necessário um apelido artístico mais convincente. Na Record, lembraram-se de um motorista de táxi (naquela época, chofer de praça) que havia em São Paulo, no Largo do Paissandu, cujo apelido era "Vassoura". Negro muito alegre ("de risada escandalosa", dizem os que o conheceram), ele havia conquistado essa alcunha pelo fato de, altas horas da noite, levar para casa os últimos freqüentadores do Ponto Chic, que, na ocasião, era o reduto da grã-finagem de São Paulo. Ou seja, este motorista "varria" os retardatários do Ponto Chic. Figura muito popular na capital paulista, "Vassoura" seria imediatamente lembrado ao se precisar de um nome artístico eficiente para o jovem Mário Ramos de Oliveira. Passaram então a inventar que Mário era filho do "Vassoura", e assim ficou Vassourinha.

Foi nesse período que se tornou grande amigo de Isaura Garcia, também começando na Record, e apresentaram-se juntos em programas de rádio, em espetáculos de teatro e excursões pelo interior do Estado. Eles costumavam apresentar em dupla os números que Carmen Miranda cantava em dueto com Almirante e Luís Barbosa. Carmen Miranda tinha tanta admiração por ele, que quando vinha a São Paulo apresentar-se com sua irmã Aurora e o cantor Silvio Caldas, fazia questão de que Vassourinha participasse desses espetáculos.

Seu repertório nessa época era calcado quase todo no de Silvio Caldas, João Petra de Barros e Luís Barbosa. Este último, por sinal, havia sido o ponto de partida de Vassourinha. Luís Barbosa foi o introdutor do samba de breque, reconhecido como grande sambista, seja por sua bossa inigualável, seja pelas inflexões originalíssimas que imprimia ao que interpretava. Morreu de tuberculose em 1938, aos 28 anos de idade. Falou-se, na ocasião, que não haveria mais substituo para ele, pois do jeito que ele cantava ninguém mais seria capaz de fazer. Vassourinha demonstrava em tudo ser o sucessor natural de Luís Barbosa. Eles tinham a voz mais ou menos parecida, tendiam para as mesmas inflexões maliciosas do samba e gostavam de cantar acompanhando-se com pandeiro ou chapéu de palha. Foi, de fato, o que aconteceu. A partir de 1938, com o desaparecimento de Luís Barbosa, Vassourinha começa a ocupar-lhe o lugar. Nesse momento, seu único obstáculo para a projeção nacional é o fato de ser paulista e atuar em São Paulo. Mas, com todos os empecilhos que lhe são colocados pelas segregações do bairrismo nacional, ainda assim se faz notado e comentado em todo o país, a ponto de ter aparecido na capa da importante revista Carioca.

Pouco se sabe de sua vida particular já que sempre se mostrou muito reservado. Seus amigos mais próximos diziam que sempre que a conversa descambava para esse lado ele acabava mudando de assunto. O que se sabe é que morava na Barra Funda e não tinha irmãos.

Em 1940, enfim, surge a primeira oportunidade de gravação. Nessa ocasião, já ganhava 600 mil réis na Record e em sua carteira profissional constava que era "cantor e auxiliar de escritório". O compositor Antônio Almeida tinha ido à rádio para acertar com a direção uma temporada com os Anjos do Inferno, de quem era uma espécie de empresário. Enquanto conversava com Raul Duarte e Blota Júnior, ouviu bem próximo alguém cantando seus sambas e descobriu ser um garoto do elenco da rádio a quem chamavam de Vassourinha. Raul Duarte pediu-lhe que usasse de sua influência no Rio de Janeiro para conseguir-lhe uma gravação. Vassourinha interpretava um choro de João de Barro e Alberto Ribeiro, "Seu Libório", que havia sido lançado muito tempo antes por Luís Barbosa. Luís inclusive havia cantado "Seu Libório" no filme "Alo, alô, Carnaval", de Wallace Downey e Ademar Gonzaga, lançado em 1936, mas como pertencia a outra gravadora, João de Barro - nesta época ligado a Columbia - não autorizou o registro, aguardando outra oportunidade. Essa era a oportunidade e Almeida usou esse argumento para convencer Braguinha a aceitar Vassourinha na Columbia. Do outro lado dessa gravação, colocariam outro choro - "Juracy" - este do próprio Almeida e de Ciro de Souza.

Em meados de 1941, Vassourinha gravava seu primeiro 78 rpm. Tinha cinco anos de rádio e dezessete de idade. "Seu Libório" e "Juracy", desse disco lançado em 23 de julho de 1941, conquistaram extraordinário sucesso em todo o Brasil. Tinham no acompanhamento Chiquinho e seu ritmo. Na mesma sessão de gravação, Vassourinha havia gravado mais duas músicas, ao que tudo indica, "Emília" (de Haroldo Lobo e Wilson Batista) e "Ela vai à feira" (de Roberto Roberti e Almanyr Greco), que seriam lançadas em um 78 rpm dois meses depois, em 19 de setembro. Nem bem as duas primeiras músicas haviam se projetado como sucesso nacional, "Emília" também estourava, aumentando ainda mais o prestígio de Vassourinha e tornando-se o número mais característico de seu repertório. Em novembro, o cantor é chamado novamente ao Rio para gravar mais quatro músicas, ou como se dizia na época "quatro faces". Registrou quatro músicas para o Carnaval de 1942: "Chik, chik, bum" (marcha de Antônio Almeida), "Apaga a vela" (marcha de João de Barro), "Olga" (samba de Alberto Ribeiro e Satyro de Mello) e "Tá gostoso" (marcha de Alberto Ribeiro e Antônio Almeida) que foram lançadas simultaneamente em dois discos em 3 de dezembro de 1941.

Com o sucesso no Rio, a Record começava a perdê-lo. Apesar do enorme sucesso, não chegou a ter um bom resultado financeiro já que se ganhava muito pouco com discos e shows. Costumava freqüentar o Café Nice, onde tomava chope e se encontrava com os maiores cantores e compositores da época. As duas derradeiras gravações de Vassourinha foram feitas em março de 1942, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu regional. Os quatro sambas - "...E o juiz apitou" (de Antônio Almeida e J. Batista), "Amanhã eu volto" (de Antônio Almeida e Roberto Martins), "Amanhã tem baile" (de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e "Volta pra casa, Emília" (de Antônio Almeida e J. Batista) - saíram em discos respectivamente lançados em 25 de abril e 12 de maio, conquistando novo sucesso. Uma curiosidade: o J. Batista, parceiro de Almeida, não é outro senão o grande Wilson Batista, que, na ocasião, havia mudado para outra sociedade e por isso aparecia com outro nome. Autor de uma sociedade não podia fazer parceria com autor de outra, daí que Wilson se escondeu sob o nome do pai, José Batista, assinando como J. Batista.

Nessa época, começou a sentir os sintomas da doença que viria a vitimá-lo. Costumava agarrar-se aos cotovelos alegando dores estranhas nos ossos. Em julho de 1942, ao chegar de trem de São Paulo, Vassourinha telefonou ao compositor Ciro de Souza, marcando um encontro para tratar de detalhes da gravação que iria fazer de um novo samba dele chamado "Mademoiselle Joujoux". Combinaram de se encontrar na Galeria Cruzeiro, na avenida Rio Branco. Ao ver Vassourinha, Ciro ficou espantado com sua aparência. Ele estava abatido, com febre alta e confessou não estar se sentindo bem. Ciro levou-o ao consultório de um amigo, Dr. Mário Braune, na rua São José, que o examinou durante 40 minutos e concluiu que o caso era muito sério e que era tarde demais. Ciro não entendeu direito a explicação do médico, mas parecia tratar-se de uma doença muito rara, onde entrava tuberculose, reumatismo e outras moléstias e que já havia atingido o coração, havendo necessidade de socorro urgente. Antes de aplicar-lhe uma injeção, o médico recomendou que o rapaz voltasse para São Paulo em passagem sem leito. Segundo ele, "se esse moço se deitar, não levanta mais". Ciro comprou passagens para o trem das 21 horas, mas não pode acompanhá-lo na viagem pois era funcionário do Arsenal de Guerra e não podia faltar ao serviço. Ele explicou a situação ao chefe do trem, que vinha a ser um grande admirador de Vassourinha, e este prometeu que cuidaria dele durante toda a viagem e ajudaria na chegada a São Paulo. Pediu a Vassourinha que telefonasse ao Rio informando seu estado de saúde. Passados oito dias sem notícias, Ciro de Souza foi para São Paulo e encontrou-o em casa - descrita por Ciro como "muito limpinha, apesar de pobre" - com uma péssima aparência. Falava mal e mostrava-se muito ofegante. Isaura Garcia visitou Vassourinha durante essa fase e na sua opinião faltou-lhe assistência médica adequada. Sua mãe estava certa que a causa de todo o mal tinha sido a viagem ao Rio, onde deveria ter tomado algum golpe forte de ar e o tratava com benzeduras e arruda. Quando o médico chegou, já era tarde demais. Segundo Isaurinha, o médico lhe calcava o dedo na testa e os ossos afundavam, como se virassem pó.

A causa da morte de Vassourinha é até hoje desconhecida. Na baixa de sua ficha na Rádio Record, consta como tendo sido 31 de julho de 1942 a data de seu falecimento. Raul Duarte, porém, dizia ser 3 de agosto a data correta. O certo, enfim, é que desaparecia, aos 19 anos de idade, uma das maiores revelações de todos os tempos da música popular brasileira.

Suas 12 gravações - reunidas em um LP da Continental em 1976 - foram relançadas recentemente em CD na coleção "Arquivos Warner".

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Quinta-feira, Julho 03, 2003  

CD - lançamento
Elizeth Cardoso - Faxineira das Canções



Assim como quem cuida de uma casa
Com capricho e com carinho
Cuido bem da minha voz
Que saia limpa e clara da garganta
E voe sempre mais veloz
Lavando o coração de quem me escute
Feito água cristalina, aliviando toda a dor
Tornando mais bonita a vida rude
Faxineira do amor
E assim esfrego o chão da minha alma
Até vê-la mais brilhante
Do que sala de jantar
Que é pra bem receber os convidados
Que começam a chegar
E quem me vê no palco tão serena
Tão segura e poderosa
Radiante de emoções
Não pode adivinhar o meu trabalho:
Faxineira das canções


Esta é FAXINEIRA DAS CANÇÕES, belíssima música de Joyce e título da caixa de 4 CDs de Elizeth Cardoso que a Biscoito Fino acaba de lançar, organizada por Hermínio Bello de Carvalho.

É esta também uma das músicas do CD Luz e Esplendor, pela primeira vez lançado em CD. Editado originalmente em 1986 pela Arca Som em comemoração aos 50 anos de carreira da cantora, o disco abre com "Elizetheana", pot-pourri de sucessos da Divina - "Canção de Amor", "Nossos Momentos", "Meiga Presença", "Apelo" e "Se todos fossem iguais a você" - com as participações de Alcione, Cauby Peixoto, Nana Caymmi e Maria Bethânia. Em seguida, o piano de Gilson Peranzzetta e o vocal de Joyce emolduram a voz de Elizeth na canção que dá título à caixa. Da parceria Baden Powell/Paulo Cesar Pinheiro aparecem "Cabelos Brancos" (no acompanhamento um duo de violão e cello com Raphael Rabello e Márcio Mallard) e "Voltei". Nei Lopes também comparece com duas: "Calmaria e Vendaval" (parceria com Sereno) e "Felicidade Segundo Eu" (parceria com D. Ivone Lara). Esta última traz as participações de Paulinho da Viola (violão e voz), D. Ivone Lara (vocal) e Elton Medeiros (caixa de fósforos). Elton também mostra sua habilidade com a caixinha na faixa "Complexo" (Wilson Batista/M. de Oliveira). A Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco participa de "Valsa Derradeira" (Gereba/Capinam). O disco traz ainda "Vento de Saudade" (Jorge Aragão/Sergio Fonseca) e "Luz e Esplendor" (Walter Queiroz). Os arranjos ficam por conta de nomes como Antonio Adolfo, Rildo Hora e Maurício Carrilho. Entre os músicos, destaque para Wilson das Neves, Raphael Rabello, João de Aquino, Luciana Rabello, Luisão Maia, Sivuca, Paulo Moura, Alceu Maia, Mauro Senise, Gordinho e Marçal. Para essa reedição em CD, foram incluídas quatro faixas-bônus, extraídas do arquivo de Hermínio. "Azulão" (Jayme Ovalle/Manuel Bandeira) ela canta acompanhada somente pelo cello de Márcio Mallard. Em "Seresta n0. 5 (Modinha)" (Villa-Lobos/Manuel Bandeira), Elizeth é acompanhada pelo violão de Turíbio Santos. "Valsa da Solidão" (Paulinho da Viola/Hermínio Bello de Carvalho) foi tirada de um LP comemorativo dos 50 anos de Hermínio e tem a participação de Chiquinho do Acordeon e Maurício Carrilho. A última raridade do disco é um pot-pourri em homenagem a Baden Powell - com João de Aquino e Hélio Capucci nos violões - e seus parceiros Paulo Cesar Pinheiro ("Última Forma", "Violão Vadio" e "Refém da Solidão") e Vinicius de Moraes ("Deixa").

Em 1990, Hermínio foi convidado a produzir um disco-tributo a Ary Barroso para servir de brinde da empresa de móveis mineira Itatiaia. Elizeth estava sem gravadora (a Arca Som já havia fechado suas portas) e daí nasceu Ary Amoroso, que no ano seguinte seria lançado comercialmente em CD pela Sony. Para os arranjos, foram convocados Gilson Peranzzetta e Maurício Carrilho. O time de músicos - o encarte traz uma foto de parte da formação - foi formado por Rafael Rabello (7 cordas), Zeca Assumpção (baixo), Ovídio Brito (tamborim), Alceu Maia (cavaquinho), Gordinho (surdo/tamborim), Marcos Suzano (pandeiro/cuíca), Wilson das Neves (bateria), Áurea Martins, Ithamara Koorax e Dalva Torres (coro), entre outros. O repertório é recheado de clássicos do compositor mineiro como "Inquietação", "Folha Morta", "Pra Machucar Meu Coração", "Tu" e "Camisa Amarela". O texto da contracapa foi escrito, a pedido de Elizeth, por Chico Buarque que assim a definiu: "Voz de mãe, e mãe de todas as cantoras do Brasil."

Todo o Sentimento foi gravado logo em seguida com uma sobra da verba destibada à "Ary Amoroso" e também lançado em CD em 1991 pela Sony. Elizeth e Raphael Rabello haviam se encontrado em uma temporada do projeto Seis e Meia neste mesmo ano de 1989 e Hermínio queria registrar o show em disco. Depois de algumas tentativas frustradas de se gravar ao vivo no teatro, os dois entraram em estúdio no dia 23 de setembro de 1989 e registraram tudo no mesmo dia. O disco não sofreu qualquer retoque e não foi usada voz-guia. É apenas Elizeth cantando e Raphael tocando, ao vivo. Emoção pura. Uma vinheta de "Faxineira das Canções" abre o disco e emenda com a inspirada "Camarim" (Cartola/Hermínio Bello de Carvalho) e "Refém da Solidão". A faixa que dá título ao disco é a linda parceria de Cristóvão Bastos e Chico Buarque. O repertório traz ainda "Doce de Coco" (Jacob do Bandolim/Hermínio Bello de Carvalho) e "Modinha" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes).

A pérola da caixa é, no entanto, Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e Época de Ouro - Ao Vivo no Teatro João Caetano. Esse registro do Museu da Imagem e do Som de 1968 (que agora aparece em CD duplo) havia sido lançado em dois LPs hoje raros e em CD... no Japão! O recital mostra todo o talento do Zimbo Trio, seja sozinhos em "Ponteio" (Edu Lobo/Capinam) ou acompanhando Elizeth em "É Luxo Só" (Ary Barroso/Luiz Peixoto). Momento de grande emoção é a Divina interpretando a capela "Serenata do Adeus" (Vinicius de Moraes) e "Canção do Amor Demais" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes). Logo em seguida Jacob do Bandolim e Época de Ouro chegam com tudo em "Murmurando" (Mario Rossi/Fon Fon) e "Noites Cariocas" (Jacob do Bandolim¿. Depois de Jacob contar a história de como descobriu Elizeth em 1936, eles se juntam em "Mulata Assanhada" (Ataulfo Alves), passeiam pelo repertório de Noel, Silvio Caldas e Pixinguinha, culminando na clássica interpretação de "Barracão" (Luiz Antonio/Oldemar Magalhães). O disco termina com o público cantando "Está chegando a hora" (Adap. Henrique Campos/Henricão), mostrando alegria e emoção, mas talvez ainda sem a noção de ter presenciado um momento histórico da música brasileira.

Os encartes trazem textos originais das primeiras edições e novos textos escritos por Hermínio Bello de Carvalho, além de fotos, ficha técnica detalhada e letra de todas as músicas (exceto no "Ao Vivo no João Caetano").

A lamentar apenas o leve descuido com a parte gráfica. A caixa em si merecia um design melhor, apesar da bonita ilustração de Ulisses. As capas de alguns encartes também poderiam ter um melhor acabamento.

A caixa já havia sido lançada como brinde em uma edição que não trazia o CD duplo do show do João Caetano. O texto do livreto não foi atualizado e não menciona este disco. A falha é desculpada pela grandiosidade da iniciativa da Biscoito Fino de incluir esta jóia na caixa.

É, portanto, item obrigatório em qualquer coleção de música brasileira.

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