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Sexta-feira, Agosto 29, 2003
CD - lançamento
Songbook João Bosco
Último trabalho do produtor Almir Chediak, assasinado em maio deste ano, chega agora ao mercado o Songbok João Bosco (Lumiar) em 3 volumes.
O CD 1 abre com um belo vocal de Milton Nascimento em "Caça à Raposa". O arranjo de Cristóvão Bastos, centrado nos metais, é o destaque de "Bala com Bala", cantada por Edu Lobo. Chico Buarque está correto em "Incompatibilidade de Gênios", com auxílio luxuoso da cuíca certeira de Ovídio Brito. Zizi Possi começa bem, mas depois exagera nos vocais em "Quando o amor acontece". Luiz Melodia soa burocrático em "Latin Lover". "O Rancho da Goiabada" tem uma nova roupagem com Zélia Duncan e Pedro Luiz e A Parede, com direito à percussão característica do grupo. A metaleira é mais uma vez o destaque do arranjo de Cristóvão Bastos em "Coisa Feita", na voz de Alcione. Moska se mostra um intérprete sem brilho em "Assim sem mais", acompanhado pelo cello de Jacques Morelenbaum. A voz de Leila Pinheiro e o piano de João Donato não salvam a fraca "Indeciso Coração". A voz de Zeca Baleiro funciona bem para o clima de "Das Dores de Oratórios". Chico César mais uma vez fracassa como intérprete de obra alheia em "A nível de...". "Mama Palavra" poderia ter sido composta por Arnaldo Antunes e por isso ele está tão à vontade. "Memória da Pele" perde muito de sua força na voz contida de Rosa Passos. Emílio Santiago põe todo seu belo grave a serviço de "Siameses", num dueto arrebatador com Leny Andrade. O grand finale fica por conta do próprio João Bosco, dividindo a clássica "O bêbado e a equilibrista" com o parceiro Aldir Blanc, com acompanhamento dos músicos do Água de Moringa.
O CD 2 começa com Daniela Mercury, que decepciona em "Corsário". "Nação" parece ter sido feita para Simone tal a intimidade que ela demonstra com a música, acompanhada somente pelo violão do autor. Outro muito à vontade é Gilberto Gil em "Odilê, Odilá". "Linha de Passe" ganha versão voz e violão de Ana Carolina. Ivan Lins foi escolha perfeita para "O cavaleiro e os moinhos", em arranjo criativo de Ricardo Silveira. Beth Carvalho mostra seu talento em "Kid Cavaquinho". Elba Ramalho não brilha em "Flor de Ingazeira". Zé Renato e Marco Pereira esbanjam delicadeza em "Bodas de Prata". Edson Cordeiro usa sua versatilidade vocal em "Miss Suéter". O lindo arranjo de Antonio Adolfo para "Transversal do Tempo" merecia uma intérprete melhor que Sandra de Sá. Dori Caymmi emociona com sua voz e seu violão em "Agnus Sei". Tunai, irmão do autor, assume "De Frente pro Crime", com arranjo de Wagner Tiso. "Doce Sereia" traz Joyce acompanhada do Quarteto Maogani. Dudu Nobre não domina "Escadas da Penha". Emilio Santiago arrasa em "Preta-porter de tafetá", com mega-arranjo de Leandro Braga.
O CD 3 resgata a dupla Burnier & Cartier que assume os violões e se junta a Ed Motta em "Bijuterias". Ricardo Silveira injeta uma dose de pop no arranjo de "Jade" para a interpretação de Pedro Mariano. O Quarteto Maogani prepara o terreno para a criativa interpretação de Lenine em "O Ronco da Cuíca". Sandra de Sá põe acento black em "Tiro de Misericórdia". "Desenho de Giz" ganha interpretação delicada de Djavan. Martinho da Vila divide "O mestre-sala dos mares" com João Bosco. Zeca Pagodinho está perfeito em "Boca de Sapo". O violão de Yamandu Costa brilha em "Papel Machê", apesar de Paula Toller. Cristóvão Bastos repete em "Falso Brilhante" o arranjo abolerado que costuma fazer para Nana Caymmi, que não foi boa escolha pra esta canção. Leila Pinheiro e Guinga acertam em "Senhora do Amazonas". Jussara Silveira tem interpretação correta em "Sábios costumam mentir". "Enquanto espero" ganha teatralidade na voz de Ney Matogrosso. Dominguinhos tem o estilo adequado para "Nossas últimas viagens". Fatima Guedes capta com maestria a emoção de "Saída de Emergência". Cauby Peixoto mostra que é um grande intérprete mesmo economizando nas firulas vocais em "Dois pra lá, dois pra cá". Jards Macalé encerra com "Siri recheado e o cacete".
Assim como todos os outros da série, esse songbook resulta irregular. Ainda assim é uma revisão importante da obra de um grande compositor.
por Marcus Fernando
15:45
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O que vem por aí
Festival Biscoito Fino na Modern Sound
A partir do dia 2 de setembro, sempre às terças-feiras, às 20h, acontecerá o Festival Biscoito Fino na Modern Sound. A cantora e compositora Luciana Souza é a primeira a se apresentar. No dia 9 é a vez de Olivia Byington, que está lançando o CD "Canção do Amor Demais", com músicas de Tom e Vinicius.
Dia 16, Francis Hime dá uma prévia de seu novo CD, "Brasil Lua Cheia". Dia 23 a apresentação fica por conta de Márcio Faraco, radicado na França e que vem mostrar suas últimas composições. Olivia Hime, no dia 30, relança o CD "Alta Madrugada", de 97, com as canções da noite que ela mais gosta de cantar.
A loja Modern Sound fica na rua Barata Ribeiro, 502 - D, Copacabana (RJ).
por Marcus Fernando
15:20
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Terça-feira, Agosto 26, 2003
CD - lançamento
O Universo Musical de Baden Powell
A Universal acaba de lançar o CD duplo "O Universo Musical de Baden Powell", que traz gravações feitas pelo violonista na França para os selos Barclay e Festival.
O CD 1 compila gravações do período de 1964 a 1972 na Barclay. Lá estão "Garota de Ipanema" (Tom Jobim/Vinícius de Moraes), "Samba Triste" (Baden Powell/Billy Blanco) e "Vou Deitar e Rolar" (BadenPowell/Paulo César Pinheiro). Uma curiosidade é a gravação ao vivo no Olympia em 1972 de "Jesus, Alegria dos Homens", de Bach.
O CD 2 reúne faixas gravadas na Festival entre 1970 e 1977. O repertório traz "Coisa no.1" (Moacir Santos/Clóvis Mello), "Samba do Avião (Tom Jobim)", "Samba da Benção" (Baden Powell/Vinícius de Moraes), entre outras, além de "Eu Vim da Bahia" (Gilberto Gil), extraída do LP em parceria com Stephane Grappelli, "Le Grande Reencontre".
por Marcus Fernando
17:05
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HISTÓRIAS DA MPB
Carlos, o da cachaça
O próprio Carlos Moreira de Castro conta como virou Carlos Cachaça:
"Noutro dia, um jornal contou que meu apelido nasceu aqui em Mangueira porque eu pegava uma cana violenta. Realmente, sempre bebi muito, mas meu apelido não nasceu na Mangueira. Havia na antiga Rua Senador Eusébio, na Praça Onze, um tenente do Corpo de Bombeiros chamado Couto. Tenente Couto. Todos os domingos iam pra lá o Cândido das Neves, o Uriel Lourival, o Nonô pianista, o Baiano, que tocava saxofone, um grupo assim. Eu também ia. O tenente Couto tinha três filhas que todo mundo queria namorar. Ele era muito folgazão, gostava de cantar, aquela coisa toda. Quase todos os domingos era feijoada com cerveja preta. A cervejaria era ali mesmo na Praça Onze. Toda vez que vinha a cerveja, eu recusava: 'Não, obrigado. Quero uma cachaça, uma cachacinha'. No grupo que freqüentava a casa dele, havia três pessoas com o nome de Carlos. Quando eu demorava a chegar, ou não ia, o tenente Couto perguntava: 'Cadê o Carlos?' 'Está ali', respondiam. 'Não, não é aquele, não. É o da cachaça. O Carlos Cachaça'. Foi assim que fiquei Carlos Cachaça."
por Marcus Fernando
17:05
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Segunda-feira, Agosto 25, 2003
O que vem por aí
série 2 em 1
Em setembro a EMI dá prosseguimento ao trabalho de resgate do seu valiosíssimo acervo musical. Desta vez, está recuperando 140 títulos, agrupados em 70 CDs no formato "2 em 1". Apesar de trazer uma arte gráfica feia, os CDs reproduzem as capas e textos originais no encarte e sairão em uma série econômica, com preço em torno de R$ 12,00. A maioria desta série é formada por discos consagrados e muito pedidos pelo público. Entretanto, há pelo menos 38 LPs que a gravadora está lançando pela primeira vez em CD. Eclético, o pacote atual vai de MPB tradicional, pop, samba a cantores do rádio, instrumental, sertanejo e brega.
Raros de Nana Caymmi, Sivuca e Simonal são destaques no quesito MPB
Quatro discos maravilhosos de Nana Caymmi, do início de seu contrato com a EMI, estão de volta. São eles "Nana Caymmi" (79) ("Palavras", "Contrato de separação") e "Mudança dos ventos" (80) - que já saíra na primeira série "2 em 1" da EMI, há dez anos. Os outros são "Chora brasileira" (85) e o inédito em CD "E a gente nem deu nome", aquele da capa vermelha com delícias como "Brisa do mar", "Café com pão" e "Bons amigos", lançado em 1981. "Alegria, alegria - vol. 4" (69) do suingado Wilson Simonal também aparece pela primeira vez em CD, ao lado do respectivo volume 2 (68), recém-lançado na caixa de 3 CDs "Brasil de A a Z". "Que maravilha" e uma releitura de "Uma loura", do repertório de Dick Farney, são alguns dos destaques do volume 4. Entre as cantoras, temos títulos de Maria Bethânia ("Maria Bethânia" de 69 e "Ao vivo", de 70), Simone ("Cigarra" (78) e "Pedaços" (79, disco que lançou "Começar de novo"), além da dobradinha com Márcia ("Ronda", 77) e a recém-falecida Marisa Gata Mansa (em seu maior êxito comercial "Viagem", de 1973) - ambas reunidas num único CD. Grandes compositores que já tiveram toda sua obra lançada há alguns anos pela EMI também não foram esquecidos. Caso do sempre inquieto Gonzaguinha, que volta em quatro títulos: seu primeiro disco, "Luiz Gonzaga Jr." (73), do clássico e engajado "Comportamento geral", e "Começaria tudo outra vez" (76) e também "Plano de vôo" (75) e "Caminhos do coração" (82), este, que contém o samba "O que é o que é". Os quatro sensacionais discos que Ivan Lins gravou na EMI, entre 1977 e 80 (para muitos, sua melhor fase), também foram agrupados dois a dois nesta série: "Somos todos iguais nesta noite" (77) e "A noite" (79) e mais "Nos dias de hoje" (78) e "Novo Tempo" (80). Djavan também reaparece com o homônimo de 1978 (onde canta "Serrado", "Álibi" e "Samba dobrado") e "Seduzir" (80). Filho da era dos festivais, Taiguara esbanja romantismo nos LPs "Hoje" (69) e "Viagem" (70) - este, do hit "Universo no teu corpo". E os ensinamentos zen com acabamento pop cunhados por Sá, Rodrix e Guarabyra podem ser redescobertos pelas novas gerações graças às reedições atuais de "Passado, presente e futuro" (72) do trio e "Nunca" (74), da dupla sem Zé Rodrix. No âmbito nordestino, o Rei do Baião Luiz Gonzaga gravou pouco na Odeon (apenas 5 LPs de sua vasta discografia) mas deixou sua marca no acervo da companhia cujos sucessos estão reunidos na coletânea "Aquarela nordestina", que está num CD em companhia de seu derradeiro LP de 1989, "Vou te matar de cheiro", seu testamento em forma de música gravado na extinta gravadora Copacabana. O Trio Parada Dura esbanja irreverência nos quatro discos que aqui foram resgatados dois a dois: "Casa da avenida" (este inédito em CD, de 79) e "Blusa vermelha" (80), além de "Luz da minha vida" (78) e "Cruz pesada" (82). Mais urbano, mas nem por isso menos ligado às raízes nordestinas, o menestrel Alceu Valença usa e abusa de seu talento em mesclar a MPB e o pop nos ótimos "Andar, andar" (90) e "7 desejos" (92), cheios de sucessos, como "La belle de jour", "Tesoura do desejo" e "FM rebeldia". Na seara instrumental, três lançamentos honram o nome de nossos grandes músicos. O "2 em 1" de Altamiro Carrilho trazendo a coletânea "Rio antigo" (61) e "Choros imortais" (64) é reeditado. E inéditos são os discos do bandolinista Joel Nascimento e do grande sanfoneiro Sivuca. Ambos têm pela primeira vez no formato digital quatro de seus discos. Do primeiro são "O pássaro" (78) e "Meu sonho" (79) - mesclando composições próprias e clássicos da MPB -, e de Sivuca: "Forró e frevo" (80) e "Forró e frevo - vol. 3" (83), duas pérolas de cunho autoral.
Inéditos de Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira brindam fãs dos grandes cantores do rádio
Finalmente, a EMI relança dois discos de carreira da pungente Dalva de Oliveira, que foi das poucas cantoras tradicionais da Era de Ouro do rádio brasileiro que sobreviveu aos modismos dos anos 60, conseguindo emplacar sucessos até o fim de sua vida, em 1972. "É tempo de amor", produzido por Hermínio Bello de Carvalho em 1968, traz Dalva recriando jóias do passado e se atualizando com os compositores novos de então. Vai de Noel Rosa ("Pela décima vez") a Carlos Lyra ("Marcha da Quarta-feira de Cinzas"), enquanto seu último LP, "Bandeira Branca" (70), traz o arrebatador sucesso carnavalesco da faixa-título mais releituras de canções como "Estão voltando as flores" e "Chuvas de verão". Outra cantora do rádio que também sobreviveu - e com muito sucesso - aos anos 60 foi Elizeth Cardoso. Além da reedição do "2 em 1" com "Noturno" (57) e "Grandes momentos" (63), no qual ela regravou algumas de suas primeiras canções com melhor tecnologia, saem agora seus álbuns "A Meiga Elizeth Nº 3" (do sucesso "Canção da manhã feliz"), gravado também em 63, e "A mulata maior", de dez anos depois, incluindo a jóia de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, "Quando eu me chamar saudade". São todos bons exemplos para entender por que tantos a reverenciam como uma das maiores vozes do país de todos os tempos. Ainda no ramo das eternas cantoras do rádio, o ícone mor dessa era, Angela Maria, tem dois de seus primeiros LPs em doze polegadas reeditados novamente: "Quando os maestros se encontram" (57) e "Quando os astros se encontram" (58) - este último dividido com a genial orquestra de Waldir Calmon incluindo a gravação original de "Babalu", famosa até hoje. Hors concours em termos de escolha de repertório é a diva Dolores Duran. Duvida? Então escute os dois volumes de "Dolores canta para você dançar", de 57 e 58. Nesses discos, ela cantou o melhor da música brasileira e internacional com classe e estilo. Finalmente a diva noturna Maysa emplaca o ótimo e cheio de sucessos "Canecão apresenta Maysa" (69) e outro do mesmo ano, este inédito em CD, cujo título é apenas "Maysa" - em que aparece na capa ao lado do filho pequeno, o futuro diretor de TV e cinema Jayme Monjardim. O repertório traz compositores da safra dos festivais, como Antônio Adolfo e Paulinho Tapajós. No mesmo clima intimista de Maysa, Tito Madi é lembrado nesta série com seus discos inéditos em CD "A Fossa" (71) e "A Fossa - vol. 2" (72), repletos de sambas-canções importantes de nosso cancioneiro, como "Canção da volta", "Por causa de você" e a sua "Chove lá fora". Haja cotovelos! Cool até dizer chega são Dick Farney e Claudette Soares que nos anos 70 gravaram dois discos intitulados "Tudo isto é amor" (em 1976 e 78) reunindo canções pré e pós-bossa nova. Num clima mais "caliente", mas ainda romântico, temos o Trio Irakitan nos inundando a alma com seus fascinantes boleros nos dois discos que dedicaram exclusivamente a este gênero. São eles "Os boleros que gostamos de cantar" (60) e "Outros boleros que gostamos de cantar" (61). O único estrangeiro do pacote é também um cantor de boleros. Trata-se do espanhol Gregorio Barrios, que morou muitos anos no Brasil e gravou bastante na extinta Odeon. Entre os álbuns em que registrou sua voz aveludada por aqui destacam-se "Vereda tropical" (58) e "Verde luna" (65).
Ataulfo, Adoniran, Beth Carvalho, Kid Morengueira e Leci Brandão: a festa do samba raro
Ícone do samba iniciado também na Era do Rádio, Ataulfo Alves foi um compositor profícuo desde o início de sua carreira nos anos 30 até os 60, quando faleceu já no final da década. Suas gravações iniciais estão presentes na coletânea "Ataulfo Alves", editada pelo selo Imperial em 1970. Já outro lançamento é o álbum homônimo de 1959, raro LP do sambista gravado na Odeon. Ambos são inéditos em CD e trazem o melhor de sua obra ao lado de sambas menos manjados. Também jogando na área dos sambas da antiga está o sambista Moreira da Silva, que também teve compilada sua fase em 78 rotações no LP "Morengueira", chegando agora enfim ao formato CD juntamente com "Conversa de botequim" (66), com sua belíssima capa e um repertório composto de clássicos do samba gaiato não menos interessantes. No primeiro encontra-se "O Rei do Gatilho" e "Os intocáveis" (ambos estrelando o seu personagem Kid Morengueira) e no segundo pérolas como "Minha palhoça" e "Faustina". Mais sambas da antiga irresistíveis estão no repertório dos veteranos paulistas do Demônios da Garoa. Eles têm seu primeiro LP homônimo em doze polegadas (58) finalmente reeditado, com direito ao sucesso hilário "Promessa do Jacob". Em dobradinha com este, está outro LP homônimo de 61 (que já havia saído na série "Os originais") no qual o grupo regravou alguns de seus clássicos, como "Saudosa maloca", e apresentou novidades como "Um copo... uma garrafa... um pente". Ainda da Terra da Garoa, temos seu ícone, Adoniran Barbosa, em seus dois LPs gravados na Odeon nos anos 70. O primeiro de 74 é inédito em CD e traz uma penca de seus clássicos, tais como "As mariposas" e "Apaga o fogo mané". Já o de 75 havia sido relançado em outra série "2 em 1" de cerca de dez anos atrás mas já estava fora de catálogo. Este último completa a listagem de suas criações mais representativas, incluindo "Pafunça" e "Samba do Arnesto". Da geração de sambistas que começou a gravar a partir dos anos 60 temos Clementina de Jesus, que tem novamente relançados seu "Marinheiro só" (73) e o histórico "Gente da antiga" (68), que gravou ao lado de Pixinguinha e João da Bahiana. Trata-se do samba e suas raízes em estado puro. Paulinho da Viola e Clara Nunes são outros grandes bambas do acervo Odeon que voltam às lojas cada qual com quatro velhos vinis. Paulinho se destaca com o homônimo de 68 (que inclui "Coisas do mundo, minha nega") e "Foi um rio que passou em minha vida" (70) num CD, além de outro com mais dois álbuns homônimos de 71 - o primeiro tem "Para um amor no Recife" e o segundo abre com "Num samba curto". Já Clara Nunes aparece com "Alvorecer" (74) e "Canto das 3 raças" (76) - grandes êxitos comerciais da época que derrubaram o tabu de que cantora não vendia disco -, além de "Claridade" (75) e "As forças da natureza" (77). São quatro discos com um sucesso atrás do outro. Mais um grande bamba, este falecido há pouco, o inigualável João Nogueira imprime seu estilo confidente e malandro nos discos "E lá vou eu" (74) e "Vem que tem" (75), com "Do jeito que o rei mandou", "Nó na madeira" e "Mineira". Já Beth Carvalho, tem seus primeiros LPs dedicados ao gênero que alavancou sua carreira reeditados na EMI pela primeira vez (antes eles saíram em CD numa tiragem limitada por outra gravadora). São dois LPs excelentes. O primeiro, de 73, "Canto por um novo dia", traz a gravação original de "Folhas secas" e o segundo, "Pra seu governo", do ano seguinte, o sucesso "1.800 colinas". Dois itens da discoteca básica do samba. Para completar o pacote sambístico, temos o LP de estréia de Leci Brandão gravado em 1975 para o selo Marcus Pereira, "Antes que eu volte a ser nada", que faz dobradinha em seu CD com o mais recente e homônimo de dez anos depois, marco do auge do movimento musical carioca que popularizou o termo "pagode" em todo o país. Um disco que estourou dois grandes sucessos, "Papai vadiou" e "Isso e fundo de quintal".
Reedições de Dalto, Vinícius Cantuária e O Terço defendem o teor pop da coleção
O tempo passa e o público não se esquece dos velhos hits dos mineiros do grupo 14 Bis, nem tampouco dos velhos vinis de Beto Guedes e Lô Borges. Todos fizeram muito bem à união da MPB de raiz mineira com o pop internacional de raiz beatle. Os dois primeiros LPs do 14 Bis (de 1979 e 80) voltam num mesmo CD, bem como quatro de Beto Guedes - "A página do relâmpago elétrico" (77) e "Amor de índio" (78) e mais "Sol de primavera" (79) e "Viagem das mãos" (85). Lô Borges além de "Nuvem cigana" (82) comparece com o raro "Solo" (87), inédito em CD no Brasil. Este disco gravado ao vivo traz duas participações especiais: de Milton Nascimento em "Correnteza" e - imaginem! - de Paulo Ricardo em "Para Lennon e McCartney". Ainda sobre o 14 Bis, vale recordar que antes de pertencer a este conjunto, Flávio Venturini foi do legendário grupo de rock progressivo nacional O Terço, que também tem seus dois primeiros LPs novamente reeditados no formato "2 em 1": "Criaturas da noite" (75) e "Casa encantada" (76). De rock clássico pero com tempero à brasileira, o mito Raul Seixas não poderia ficar de fora deste pacote. Seus LPs "Uah-bap-lu-bap-lah-béin-bum! (87) e "A pedra do gênesis" (88) voltam às melhores lojas do gênero em CD. Da safra do ressurgimento do rock nacional, na primeira metade dos anos 80, foram selecionados os dois primeiros e antológicos LPs da Blitz - "As aventuras da Blitz" (82) e "Radioatividade" (83) que estouraram ao todo cerca de dez faixas - e também dois da Plebe Rude, "O concreto já rachou" (85) e "Nunca fomos tão brasileiros" (87). Finalmente é no pop mais romântico que encontramos os títulos mais raros da categoria. Discos de Dalto e Vinicius Cantuária. Para começar, os dois primeiros LPs de Dalto - "Muito estranho" e "Pessoa" - que, além das faixas-títulos, têm ainda os sucessos "Espelhos d'água", "Flash-back" e "Anjo". E os discos hoje bem raros (já que a recém-lançada série "Brasil de A a Z" do ano passado já está esgotada) "Siga-me" (85) e "Nu Brasil" (86), de Cantuária. Eles trazem à tona os velhos hits "Na canção", "Banda nova" (com participação de Caetano Veloso), mais "Clichê do clichê" (parceria com Gil) e "Vejo todo mundo". Passando do pop ao reggae, temos dois discos do cantor baiano Edson Gomes, especialista no assunto: "Reggae resistência" (88), seu primeiro LP, e "Campo de batalha" (92).
Títulos de Timóteo, Fernando Mendes, Anísio Silva e Wanderley Cardoso brilham entre os populares
Resgatado por Caetano Veloso que regravou "Você não me ensinou a te esquecer" para a trilha do filme "Lisbela e o prisioneiro", Fernando Mendes tem dois discos reeditados. Um deles, inédito, de 74, no qual aparece com um grande cabelo black power na capa. Já o outro, do ano seguinte, traz um dos grandes sucessos do cantor: "Cadeira de rodas". Curioso é lembrar que por causa deste hit, milhares de paraplégicas apaixonadas se digladiavam por um lugar na fila do gargarejo nos shows de Mendes nos anos 70, afinal, alguém se lembrou de dedicar-lhes uma canção de amor. Está aí uma cena típica do universo brega. Não faltam cenas recheadas de uma atmosfera kitsch também nos discos de seu companheiro de geração, José Augusto, que até hoje já gravou a bagatela de 25 discos. Ele também tem um LP inédito em CD no pacote. Trata-se de "Palavras, palavras...", seu primeiro LP, de 1973, que faz par com o segundo, "José Augusto", do ano seguinte e abre com "Eu quero apenas carinho". De grande sucesso na virada dos anos 60 para os 70 até morrer prematuramente, Paulo Sérgio desaguava suas baladas deslavadamente românticas num estilo muito semelhante ao de Roberto Carlos em seus LPs, dois dos quais (Volumes dois, de 68, e sete, de 73) são novamente reeditados. Outro dublê do "Rei", há pouco redescoberto, Reginaldo Rossi tem o disco que gravou o sucesso "Garçon" pela primeira vez em CD. O disco chama-se "Teu melhor amigo" e está sendo relançado juntamente com "Cheio de amor" (81). Brega pra ninguém botar defeito. O exótico Nelson Ned, já convertido à palavra de Cristo, deixou para trás baladas de dor-de-cotovelo para se esvair em orações musicadas nos CDs "O poder da fé - vols. 1 e 2" (gravados entre 89 e 90), munido de seu vozeirão. Mais chegados ao samba de linhagem popular dos anos 70, Benito Di Paula e Bebeto marcam ponto na coleção. O primeiro com quatro discos - que estão sendo reeditados pela segunda vez no formato "2 em 1". São eles "Benito Di Paula" (71) e "Um novo samba" (72) - seus primeiros LPs - e mais dois homônimos gravados em 75 e 77 respectivamente. E Bebeto está presente com os inéditos "Cheio de razão" (79) e "Massagem" - todos cheios daqueles sambas suingados nos quais qualquer semelhança com o estilo de Jorge Benjor não são mera coincidência, tais como "A beleza é você, menina", além do sucesso "Minha preta". Entre samba, soul e Jovem Guarda, Paulo Diniz destila sua voz rouca em "Quero voltar pra Bahia" (70) e o inédito em CD, "Estradas" (76). Diretamente dos porões da Jovem Guarda, saem dois inéditos de Wanderley Cardoso gravados no mesmo ano de 1968: "Socorro, nosso amor está morrendo" - com canções do filme "Pobre príncipe encantado", estrelado pelo próprio cantor no auge da carreira -, e um homônimo, com sucessos como "Bobo do baile". Outro rei do brega romântico que começou nos anos 60 e gravou durante duas décadas na Odeon, Agnaldo Timóteo tem quatro discos de volta ao mercado: "Obrigado querida" (67) e "Sonhar contigo" (inédito em CD, de 1981), e mais "Surge um astro" (seu primeiro LP, de 1965) e o também inédito em CD "O astro do sucesso" (66), incluindo versões de "Michelle" e "Aline". Admirado pelo mesmo público de Timóteo, o ex-humorista, depois animador de auditórios, Moacyr Franco deitou e rolou como cantor romântico nas paradas por pelo menos vinte anos. Entretanto em seus primeiros LPs, "Contrastes" (62) e "Moacyr Franco" (63), ele ainda alternava músicas cômicas com suas baladas românticas. É deste primeiro disco o sucesso "Suave é a noite", versão para o standard "Tender is the night", e o samba-canção "Ninguém chora por mim", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.. E o que dizer de Anísio Silva, que, reza a lenda, era admirado até por João Gilberto por ser um cantor brega cool? Pois ele mesmo volta ao mercado com dois títulos inéditos: "Alguém me disse" (60) e "2 milhões de discos vendidos" (61). Muita fossa regada à samba-canção cool, uma mistura que só Anísio sabia fazer. Fechando a coleção "2 em 1", duas duplas que são artífices do neo-sertanejo: Chitãozinho & Xororó e João Mineiro & Marciano. Os primeiros aparecem com quatro discos: "Somos apaixonados" (82) e "Fotografia" (85), além de "Doce amada" (76) e "A força jovem da música sertaneja - Vol. II" (77). Mais extravagante, a segunda dupla desfia seu rosário de dor-de-cotovelo nos discos "Os inimitáveis - I e II".
por Marcus Fernando
11:20
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CD - lançamento
Reis do Samba
Em "Reis do Samba" a Revivendo Músicas apresenta cantores que deixaram sua marca registrada na chamada Época de Ouro da música popular brasileira: Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Déo, Gilberto Alves e Roberto Paiva.
1. Natureza Bela (Felisberto Martins/Henrique Mesquita) - Gilberto Alves
2. Meus Olhos (Newton Teixeira/Ary Monteiro) - Carlos Galhardo
3. Tenha Santa Paciência (Geraldo Pereira/Garcez) - Roberto Paiva
4. Eterna Ilusão (João Pacífico) - Déo
5. Uno (Marianito Mores/Oswaldo França) - Nelson Gonçalves
6. Rei do Astral (José Gonçalves) - Gilberto Alves
7. Despeito (Marino Pinto/Waldemar Gomes) - Carlos Galhardo
8. O Último Samba (Laurindo de Almeida) - Roberto Paiva
9. Chega (A. Barbosa/José Marcílio) - Déo
10. Alma Que Chora (Alcebíades Barcellos/Armando Marçal) - Nelson Gonçalves
11. Ela Não Me Esquece (Alcebíades Nogueira/Ruthnaldo Silva) - Gilberto Alves
12. 23 de Abril (Roberto Martins/Ary Monteiro) - Carlos Galhardo
13. Lembra-te Daquelazinha? (Geraldo Pereira/Garcez) - Roberto Paiva
14. Se Você Soubesse (Valmúrio) - Déo
15. Acabou-se o Confete (Amado Régis/Paquito) - Nelson Gonçalves
16. Dois Punhais (Roberto Martins/Mário Rossi) - Gilberto Alves
17. Vergonha (Roberto Martins/Jair Amorim) - Carlos Galhardo
18. Réu Confesso (Ataulfo Alves) - Roberto Paiva
19. Terezinha (Estanislau Silva/Mabial) - Déo
20. A Você (Paulo Marques/Nelson Gonçalves) - Nelson Gonçalves
por Marcus Fernando
11:16
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Domingo, Agosto 24, 2003
O que vem por aí
Elza Soares - Negra (caixa com 12 CDs)
A EMI lança em setembro uma caixa com 12 CDs, intitulada "Negra", contendo 22 discos originais lançados por Elza Soares na Odeon, Tapecar e RGE, com faixas bônus, além de um CD inédito com raridades.
Vol. 1
Se acaso você chegasse (Odeon/1960)
A Bossa Negra (Odeon/1960)
Vol. 2
O Samba é Elza Soares (Odeon/1961)
Sambossa (Odeon/1963)
Vol. 3
Na Roda do Samba (Odeon/1964)
Um Show de Elza (Odeon/1965)
Vol. 4
Com a Bola Branca (Odeon/1966)
O Máximo em Samba (Odeon/1967)
Vol. 5
Elza, Miltinho e Samba (Odeon/1967)
Baterista: Wilson das Neves (Odeon/1968)
Vol. 6
Elza, Miltinho e Samba vol. 2 (Odeon/1968)
Elza, Carnaval & Samba (Odeon/1969)
Vol. 7
Elza, Miltinho e Samba vol. 3 (Odeon/1969)
Sambas e Mais Sambas (Odeon/1970)
Vol. 8
Elza Pede Passagem (Odeon/1972)
Sangue, Suor e Raça - com Roberto Ribeiro (Odeon/1972)
Vol. 9
Elza Soares (Odeon/1973)
Elza Soares (Tapecar/1974)
Vol. 10
Nos Braços do Samba (Tapecar/1975)
Lição de Vida (Tapecar/1976)
Vol. 11
Pilão + Raça = Elza (Tapecar 1977)
Voltei (RGE/1988)
Vol. 12
Raridades
por Marcus Fernando
17:06
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CD - lançamento
Beatles'n'Choro 2
As inúmeras possibilidades de utilização da linguagem do choro tem alargado fronteiras e derrubado preconceitos. Primeiro foi a mistura com o clássico e o barroco, depois o namoro com o samba e agora uma improvável união com a música dos Beatles, um dia sonhada por Renato Russo. Os resultados foram surpreendentes e saborosos. O público aderiu e surge agora "Beatles' n' Choro 2", mais uma vez pela gravadora DeckDisc.
Para tocar em frente este projeto, reuniu-se novamente um time de craques: Carlos Malta (sax e flauta) , Rildo Hora (gaita), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Hamilton de Holanda (bandolim) e Marcello Gonçalves (violão), e ainda o produtor e arranjador do projeto Henrique Cazes no cavaquinho.
O próprio Henrique explica o caminho trilhado em "Beatles'n'Choro 2": "Neste segundo trabalho procurei abrir o leque musical através de uma aproximação com os gêneros que formaram o choro: lundú ("I want to hold your hand"), polca ("Martha my dear"), habanera ("Michelle"), maxixes, choros, sambas e até um maracatu, compõem um largo espectro de possibilidades rítmicas que se casam de forma espantosamente natural com os temas originais".
A excelente receptividade do primeiro disco - o maior sucesso fonográfico instrumental de 2002 - já seria um bom motivo para um segundo volume, mas o fator decisivo foi a vontade dos solistas de gravar temas que tinham ficado de fora do primeiro. Dessa forma, Hamilton de Holanda pôde transbordar sua paixão por "Yesterday", Henrique Cazes reler sua preferida "In my life" e Rildo Hora se divertir solando com sua gaita em "Hard day's night". Carlos Malta refaz "You're going to lose that girl" com a flauta e o sax tenor - a famosa dupla de Pixinguinha e Benedito Lacerda. Marcello Gonçalves criou um sofisticado arranjo com seu violão de 7 cordas para "She's living home". Todas as faixas só evidenciam mais uma vez a universal riqueza da obra dos quatro de Liverpool.
O grupo de base do disco: Henrique Cazes no cavaquinho, Marcello Gonçalves no violão de 7 cordas, Omar Cavalheiro no contrabaixo e Beto Cazes na percussão.
por Marcus Fernando
17:03
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Sexta-feira, Agosto 22, 2003
O que vem por aí
Antologia Egberto Gismonti
Chega às lojas no início de setembro essa antologia em um CD duplo que traça a trajetória de Egberto Gismonti na EMI entre os discos "Água e Vinho" (1972) e "Alma" (1986). Produzido e compilado por Charles Gavin sob supervisão do próprio Egberto com texto de Tárik de Souza.
CD 1
1. Ano Zero
2. Água e Vinho
3. Janela de Ouro
do LP "Água e Vinho" (1972)
4. Encontro de Bar
5. Variações sobre um tema de Brouwer
6. Luzes da Ribalta
do LP "Egberto Gismonti" (1973)
7. Palácio das Pinturas
8. Jardim dos Prazeres
9. Bodas de Prata
10. Continuidade dos Parques
11. Baião do Acordar
do LP "Academia de Danças" (1974)
12. Dança das Cabeças
13. Café
14. Trem Noturno
do LP "Corações Futuristas" (1976)
15. Baião Malandro
16. Educação Sentimental
17. Feliz Ano Novo
do LP "Carmo" (1977)
CD 2
18. Saudações
19. Nó Caipira & Zabumba
20. Frevo
21. Esquenta Muié & Banda de Pífanos
22. Frevo Rasgado
do LP "Nó Caipira" (1978)
23. O Mágico
24. Palhaço
25. Tá Boa Santa?
do LP "Circense" (1980)
26. Don Quixote
27. Choro
28. Sanfona
29. Loro
do LP "Em Família" (1981)
30. Pra Frente Brasil
do LP "Cidade Coração" (1983)
31. Baião Mlandro
32. Maracatu
do LP "Alma" (1986)
por Marcus Fernando
09:43
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Terça-feira, Agosto 19, 2003
CURIOSIDADE
Dá nela!
A música brasileira tratou a mulher por um longo período com pouca cordialidade. Aqui estão alguns exemplos:
Sinhô lançou em 1924 o samba "Já, Já", gravado na Odeon pela Orquestra Brasil-América:
"Se essa mulher fosse minha
Apanhava uma surra já, já
Eu lhe pisava todinha
Até mesmo eu lhe dizer chega"
Um outro samba, de autoria desconhecida, parece uma adaptação deste:
"Se essa mulher fosse minha
Eu tirava do samba já, já
Dava uma surra nela
Que ela gritava "chega!"
O compositor carioca Caninha abordou o tema com sucesso na década de 20. É autor da marcha "Meu amor qué me batê" e do samba "Está na Hora", gravado em 1925 na Casa Edison por Fernando:
"Mulher danada
Toma vergonha na cara
Se você não toma jeito
Dou-te uma surra de vara"
Em outro samba, "Minha Paixão", ele morde e assopra:
"Não quero teima nem discussão
Meu doce bem, minha paixão
Depois mete as presas
Olá, olá tu bem mereces um pontapé"
Em 1929, Ary Barroso ganhou o concurso de músicas de carnaval promovido pela Casa Edison com a marchinha "Dá nela", defendida por Francisco Alves:
"Esta mulher há muito tempo me provoca
Dá nela, Dá nela
É perigosa fala mais que pata choca
Dá nela, dá nela"
No mesmo ano Francisco Alves e Ismael Silva lançam "Amor de Malandro", defendendo que malandro só bate em quem gosta:
"Amor é o de malandro, meu bem
Melhor do que ele ninguém
Se ele te bate
É porque gosta de ti
Pois bater em quem não se gosta
Eu nunca vi"
Heitor dos Prazeres concorda em "Mulher de Malandro", gravada em 1931 na Odeon por Francisco Alves:
"Mulher de malandro sabe ser
Carinhosa de verdade
Ela vive com tanto prazer
Quando mais apanha
a ele tem amizade"
Em 1932, Lamartine Babo lançou o samba "Só dando com uma pedra nela", gravado na Odeon por Mario Reis:
"Mulher de setenta anos
Cheia de desenganos
Que usa 25 gramas
De vestido na canela
Só dando com uma pedra nela"
No mesmo ano, Noel Rosa reforça a pancadaria com "Mulher Indigesta", gravada pelo compositor com acompanhamento de Os Sete Diabos:
"Mas que mulher indigesta, indigesta
Merece um tijolo na testa"
Em "Nunca... Jamais" o Poeta da Vila mostra que é durão:
"Qualquer dia eu perco a paciência
Digo uma inconveniência
E depois te meto os pés"
Carmen Miranda em "Mulato de Qualidade", de André Filho, admite gostar do tratamento que recebe:
"Vivo feliz no meu canto sossegada
Tenho amor, tenho carinho
Tenho tudo, até pancada"
A mesma Carmen, o mesmo André, mais pancada:
"Tu ficas em casa e eu vou pra rua trabalhar
Tu és meu homem do peito
Não podes te amofinar
Tu não és mau, és bom demais
E se me dás tanta pancada
É porque eu gosto e te peço"
A Pequena Notável parece que gosta do negócio. Em 1930 grava mais uma:
"Mulher, eu vô te dá pancada
Inté te vê bem machucada"
Joubert de Carvalho aproveitou a aceitação do tema pela cantora e compôs o samba-canção "Esta vida é muito engraçada", gravado por ela em 1930:
"Eu vou te dar pancada
Te morder, te judiar
Isso não é nada
O pior é ter que te aturar"
Em 1932, o samba da escola Vai Como Pode dizia:
"Lá vem ela, chorando
Que é que ela quer?
Pancada não é, já dei"
Na primeira vez que a Portela desceu o morro foi cantando um samba truculento de Alvarenga:
"Carinho eu tenho demais
Pra vender e pra dar
Pancada também não há de faltar"
O bloco Bafo da Onça em 1964 saiu cantando um samba meio indelicado:
"É o pau, é o pau que a nega levou
Depois do castigo ela endireitou
Sem me bater eu te amo
Bate, meu bem
Que eu gamo"
O romântico Vicente Celestino surpreendeu:
"Oh Fru Fru, Flor da Noite
Dos amores sem fim vives tu
Que há muito esqueceste de mim
Porque bati muito em ti sem ter dó"
"Seu Reverendo" também faz propaganda à pancadaria:
"Seu reverendo sou um homem de paz
Mas assim já é demais
Qualquer dia eu viro mau
Desmanche esse casório ou quebro ela de pau"
Ary do Cavaco fez um samba de troglodita: "Eu sou o bicho homem"
"Se andares direitinho
Terás uma vida eterna
Se errares eu farei
Como os homens da caverna
Te arrasto pelos cabelos
Te penduro pelas pernas"
Caco Velho fez a nega entrar pelo cano (literalmente):
"Minha nega na janela está tirando linha
Eta nega, tu é feia que até parece macaquinha
Gritei pra ela: "vá já pra cozinha"
Dei um murro nela e joguei dentro da pia
Quem foi que disse que a nega não cabia?"
Lupicínio Rodrigues não poderia faltar. Ei-lo num corpo a corpo em "Amigo Ciúme":
"Quem nos vê brigando
Quase nos matando
Há de pensar que essa louca não gosta de mim"
Aldir Blanc, vascaíno, não perdoou a amada em "Gol Anulado" (parceria com João Bosco):
"Quando você gritou Mengo
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar"
Zeca Pagodinho (em parceria com Jessé Pai, Beto Gago e Luiz Carlos) também não perdoou:
"Vou dar um castigo nela
Vou lhe dar uma banda de frente
Quebrar cinco dente e quatro costelas".
Ainda bem que outros compositores se dedicaram à exaltar a mulher: "Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa..."
por Marcus Fernando
17:43
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Segunda-feira, Agosto 18, 2003
O que vem por aí
Odeon 100 anos - terceira fase
A EMI lança no início de setembro a terceira fase da série Odeon 100 Anos, organizada por Charles Gavin, com mais 30 títulos. São eles:
ALCEU VALENÇA E GERALDO AZEVEDO - Quadrafônico (Copacabana/1972)
BOSSA TRÊS, PERY RIBEIRO E LENY ANDRADE - Gemini V (Odeon/1965)
DENY E DINO - Deny e Dino (Odeon/1967)
DICK FARNEY - Concerto de Jazz no Auditório de O Globo (London/1973)
DÓRIS MONTEIRO - Dóris (Odeon/1971)
EDUARDO GUDIN - Eduardo Gudin (Odeon/1975)
EUMIR DEODATO - Idéias (Odeon/1964)
FATIMA GUEDES - Fatima Guedes (Odeon/1979)
GASOLINA - Sambou pra Frente (Copacabana)
HELIO DELMIRO - Emotiva (Odeon/1980)
ISAURA GARCIA - A Pedida é Samba (Odeon/1961)
JOHNNY ALF - Nós (Odeon/1974)
LUIS VAGNER - Luis Vagner (Copacabana/1976)
LUIZ BONFÁ - Recado Novo (Odeon/1963)
MARCOS VALLE - Braziliance! A Música de Marcos Valle (Odeon/1967)
MILTON BANANA TRIO - Milton Banana Trio (Odeon/1965)
MOREIRA DA SILVA - O Último Malandro (Odeon/1958)
NECO - Velvet Bossa Nova (London/1966)
NELSON CAVAQUINHO - Nelson Cavaquinho (Odeon/1973)
NOEL ROSA - Noel por Noel (Imperial/1971)
NOITE ILUSTRADA - Noite Ilustrada (Tapecar)
OS BORGES - Os Borges (Odeon/1980)
OS CINCO CRIOULOS - Samba no Duro vol. 2 (Odeon/1968)
ROSINHA DE VALENÇA - Rosinha de Valença e banda ao vivo (Odeon/1975)
SIMONE, ROBERTO RIBEIRO E JOÃO DE AQUINO - Brasil Export 73 (Odeon/1973)
SOM TRÊS - Som Três Show (Odeon/1968)
TRIO NORDESTINO - Pau de Arara é a Vovozinha (Beverly/1963)
VICTOR ASSIS BRASIL QUARTETO - Pedrinho (Odeon/1980)
WALTER WANDERLEY - Samba no Esquema (Odeon/1963)
WILSON SIMONAL - Simona (Odeon/1970)
por Marcus Fernando
14:45
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Quarta-feira, Agosto 13, 2003
CD - lançamento
Noites Cariocas - 15 anos depois
Gravado ao vivo no CCBB, este CD apresenta uma roda de choro com um time de craques: Alexandre Maionese, André Bellieny, Beto Cazes, Cesar Faria, Deo Rian, Henrique Cazes, Paulo Sérgio Santos, Silvério Pontes e Zé da Velha. (Kuarup Discos)
01. Noites Cariocas (Jacob do Bandolim)
02. Cochichando (Pixinguinha)
03. Vê se Gostas (Waldir Azevedo/Otavio Pitanga)
04. Flor Amorosa (Joaquim Callado)
05. Sonoroso (K-Ximbinho)
06. O Bom Filho a Casa Torna (Bonfiglio de Oliveira)
07. Matuto (Ernesto Nazareth)
08. Bola Preta (Jacob do Bandolim)
09. Choro Negro (Paulinho da Viola/Fernando Costa)
10. Chorinho Pra Você (Severino Araújo)
11. Bole-Bole (Jacob do Bandolim)
12. Um a Zero (Pixinguinha)
13. Na Glória (Raul de Barros)
por Marcus Fernando
16:02
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CD - relançamento
A Bossa Muito Moderna de João Donato e seu trio
Lançado em 1963, "A Bossa Muito Moderna" se soma ao anterior "Muito À Vontade" reunindo as primeiras gravações de João Donato ao piano com seu trio. Este disco clássico, no qual ele interpreta temas próprios e dos amigos Antonio Carlos Jobim, Roberto Menescal e Sergio Mendes, ganha agora sua primeira edição em CD, pela Dubas, remasterizado a partir das fitas originais.
"A Bossa Muito Moderna" revela composições de Donato no nascedouro, algumas criadas no próprio estúdio com rapidez e facilidade. Outras, sob títulos como "Índio Perdido", "Villa Grazia" e "Silk Stop", aparecem antes das letras que as transformaram em "Lugar Comum", "Bananeira", "Gaiolas Abertas", como já nos habituamos a ouvir em seus trabalhos mais recentes e até pouco tempo mais fartamente disponíveis em CD. O trio é o mesmo do disco anterior: Tião Neto no contrabaixo, Milton Banana na bateria e Amaury Rodrigues na percussão.
No encarte, Donato lembra hoje as histórias daquele tempo: "É muito bom ouvir este disco. Já se foram mais de 40 anos, mas parece que foi gravado ontem".
por Marcus Fernando
09:56
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Segunda-feira, Agosto 11, 2003
CD - lançamento
Quinto Compasso Samba e Choro
Passo a passo, a coleção Compasso Samba e Choro amplia seus registros dos melhores momentos das diversas temporadas acontecidas no projeto homônimo que ocupa as terças-feiras da Sala dos Archeiros, no Paço Imperial, no centro do Rio. O Quinto Compasso, lançado agora pela Biscoito Fino, documenta um panorama abrangente de cinco espetáculos, realizados entre fevereiro e julho de 2002: o violonista e compositor Zé Paulo Becker; a diva Zezé Gonzaga; os violões do Duofel; os jovens cantores Marcelo Vianna e Chico Faria.
Um dos mais festejados violonistas da recente safra de chorões cariocas, Zé Paulo Becker estende sua arte para além dos domínios chorísticos. Como compositor, revela lirismo e densidade em "Sob o Redentor" e síncope nordestina em "Galope em São Domingos", com as participações de Humberto Araújo (flauta) e Beto Cazes (percussão). Integrante do Trio Madeira Brasil (juntamente com Ronaldo Souza e Marcello Gonçalves), Becker cria uma versão personalíssima para "Feitiço da Vila", reprocessando a melodia de Vadico, por vezes negligenciada diante da poética do parceiro Noel Rosa.
Estrela dos áureos tempos da Rádio Nacional, intérprete favorita de Radamés Gnatalli, Zezé Gonzaga recria "Inquietação", do centenário Ary Barroso, um dos pontos altos de seu disco mais recente "Sou Apenas Uma Senhora que Ainda Canta", lançado pela Biscoito Fino em 2002; "Linda Flor" ou "Ai Ioiô" é um cânone do teatro brasileiro de Revista, imortalizado por Aracy Cortes, na década de 30. Zezé completa sua linha evolutiva da MPB recriando "Primavera", repertório básico da Bossa Nova, de autoria de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Ela é acompanhada pelo piano de Cristóvão Bastos e pelo violão de João Lyra.
O Duofel, formado em 1977 pelos violonistas paulistas Luiz Bueno e Fernando Melo, atingiram notoriedade internacional com o CD "Kids of Brazil", que incluía arranjos de Hermeto Paschoal, e foi ganhador do Prêmio Sharp. No Quinto Compasso, o Duofel interpreta "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e "Procissão", de Gilberto Gil. Chico Faria é filho de Ruy, do MPB-4, é de Cynara do Quarteto em Cy. Cantor e bandolinista, Faria interpreta Caetano Veloso e Gilberto Gil ("Desde que o Samba é Samba"), Paulinho da Viola ("Pecado Capital"), Claudionor Cruz e Pedro Caetano ("Nova Ilusão"), na companhia de João Faria (baixo), Clarice Magalhães, Ricardo Siri (percussão), André Estrela (violão), Marcelo Minyus (cavaquinho).
Marcelo Vianna é neto de Pixinguinha e lançou seu primeiro disco, "Teu Nome", pela Biscoito Fino, em 2002. Vianna canta canções do avô: "Mundo Melhor", com letra de Vinicius de Moraes, concebida para o filme "Sol sob Lama", de Alex Vianny; "Samba de Fato" e "Gavião Calçudo", ambas com letra de Cícero de Almeida, gravadas na década de 30 por Patrício Teixeira e Mario Reis, respectivamente. A base sonora de Marcelo Vianna é sustentada pro Alexandre Brasil (baixo), Cristiano Alves (clarinete), Rafael Barata (bateria), Murilo O´Reilly (percussão) e Caio Cesar (violão e direção musical).
por Marcus Fernando
23:47
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CD - lançamento
Grandes Versões vol. 4
Este é o quarto CD da série Grandes Versões lançado pela Revivendo e abrange o período de 1932 a 1964.
1. DESCANSA, CORAÇÃO! (Alberto Ribeiro/Simons/Marks) - Sônia Barreto
2. VALSA DA CHAMPAGNE (Conrad/Oakland /Drake/João de Barro) - Cândido de Arruda Botelho
3. RUMBA NEGRA (Léo Blanc/Orefiche/José Nicolini) - Irmãs Vidal
4. NOSTALGIAS (Juan C. Cobia/Enrique Cadicamo/Juracy Rago) - Orlando Corrêa
5. SÓ RESTA UMA LÁGRIMA (Jay Livingsto/Ray Evans/Mário Mendes) - Alcides Gerardi
6. SEJAS BEM FELIZ! (Federico Baena/David Nasser) - Francisco Alves
7. GRANADA (Agustín Lara/Vicente Celestino) - Vicente Celestino
8. CIGANA (Billy Reid/Vera F. Corrêa da Silva) - Orlando Silva
9. BOULEVARD DOS SONHOS DESFEITOS (H. Warren/A. Dublin/H. Barbosa) - Ivon Curi
10. ESTOU FICANDO SENTIMENTAL (G. Bassman/Ned Washington/Romeu Nunes) - Julinha Silva
11. CAVALEIROS DO CÉU (Stan Jones/Haroldo Barbosa) - Nilo Sérgio
12. DOMINÓ (Jacques Plante/Paulo Tapajós) - Jorge Goulart, Trio Madrigal e Trio Melodia
13. É MEU DESTINO AMAR (Jimmy Mchugh/D. Fields/Oswaldo Santiago) - Roberto Paiva
14. CEDO PARA AMAR (Sidd Lipman/Bruno Gomes) - Dóris Monteiro
15. AVENTUREIRA (A. G. Villoldo/Haroldo Barbosa) - Francisco Carlos
16. TUDO LEMBRA VOCÊ (Marvel/Strachey/Link/Mário Donato) - Cauby Peixoto
17. CREIO EM TI (Erwin Drake/Irving Graham/Jimmy Sheri/Al Stillman/Oswaldo Santiago) - Edson Lopes
18. O TROVADOR DE TOLEDO (Hubert Geraud/Jean Drejac/Romeu Nunes) - Gilda Lopes
19. CARTAS DE AMOR NA AREIA (Nick Kenny/Charles Kenny/J. Fred Coots/Alberto Ribeiro) - Carlos Nobre
20. SONHO AZUL (Tibor Barcsi/Ariowaldo Pires/Lyrio Panicali) - Dalva de Oliveira
por Marcus Fernando
22:51
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Quinta-feira, Agosto 07, 2003
CD - lançamento
Cida Moreira - Uma Canção pelo Ar
Da modinha imperial até Chico Buarque, Cida Moreira canta um panorama muito pessoal do melhor da canção brasileira, que inclui também Tom e Vinicius, Custódio Mesquita, Villa-Lobos, Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Hekel Tavares, Joraci Camargo e vários outros. Participação especial do cantor Vander Lee, numa faixa que foi sucesso de Carmem Miranda.
1. Se todos fossem iguais a você
(Tom Jobim/Vinícius de Morais)
Samba Canção, 1956
Em meados de 1956, Vinícius de Morais estava com a peça "Orfeu da Conceição" pronta, faltando somente um compositor para musicá-la e orquestrá-la. Vadico, parceiro de Noel Rosa, não aceitou, mas recomendou a Vinícius um jovem músico chamado Antonio Carlos Jobim. Foi o começo da parceria, que deu como primeiro fruto Se todos fossem iguais a você, a melhor composição do repertório criado para a peça. Foi lançada por Roberto Paiva, no final de 1956.
2. Quem é
(Custódio Mesquita/Joraci Camargo)
Samba Choro, 1937
Joraci Camargo, teatrólogo, compôs duas músicas com Custódio Mesquita: o samba Mulata brasileira e o samba choro Quem é, que através da letra em diálogo, reproduz o dia-a-dia de um casal com brigas, discussões e, no final, uma declaração de amor. Foi gravada originalmente por Carmen Miranda em dupla com o maior humorista da época, Barbosa Júnior.
3. Pedacinhos do céu
(Waldir Azevedo/Miguel Lima)
Choro, 1947
Composição predileta de Waldir Azevedo, Pedacinhos foi escrita em 1947, e dedicada às suas filhas. O próprio Waldir gravou em 1951, já direto para as paradas do rádio. Junto com Delicado e Brasileirinho, forma o trio dos mais famosos choros de Waldir. Com letra de Miguel Lima, foi grande sucesso na voz de Ademilde Fonseca.
4. Si te adoro
(Anônimo/recolhida por Mário de Andrade)
Modinha Imperial, circa 1850
Na Corte do Segundo Império, a música era do gosto do Imperador, conhecido por ser melômano e mecenas. Mas Dom Pedro II, a certa altura, cansou-se de canções importadas de além mar, e começou a encomendá-las a compositores locais, cariocas ou petropolitanos. À época, encomendava-se uma música a um compositor como se encomendava um móvel a um marceneiro. A maioria ficou no anonimato, e chegaram a nossos dias graças a compilações de estudiosos. No caso de "Si te Adoro", o salvador foi o mais importante deles, Mario de Andrade, que a incluíu em seu compêndio Modinhas Imperiais, publicado em 1936.
5. Tarzan, o filho do alfaiate
(Noel Rosa/Vadico)
Samba Choro, 1936
Composta para o filme "Cidade Mulher", de Carmen Santos, foi gravada pelo comediante José Vieira e depois por Almirante. Numa época em que o cinema americano projetava heróis de físico atlético, este filme, centrado no Rio e seus encantos, falava dos muitos galãs que, para posar de atleta sem o ser, recorriam aos alfaiates. Torna-se então moda no Rio o paletó com ombreiras, que aproximava nossos rapazes de Johnny Weissmuller, Rodolfo Valentino e outros.
6. Casinha pequenina
(Autor Desconhecido)
Modinha, 1906
A modinha é o gênero mais lírico e sentimental do cancioneiro brasileiro e também o mais antigo: existe desde o século XVIII. Nenhuma seria tão cantada e gravada quanto Casinha Pequenina. Lançada em disco por Mário Pinheiro, em 1906, teria dezenas de gravações posteriores, sem que nunca se descobrisse seu verdadeiro autor.
7. Canção do amor
(Villa Lobos/Dora Vasconcellos)
D¿A Floresta do Amazonas, 1958
Ainda lembrando o romantismo poético introduzido pela modinha, esta canção é um dos exemplos mais fortes da enorme evolução musical do gênero, nas mãos deste gênio que foi Villa-Lobos. É uma das quatro canções que ilustram a obra sinfônica A Floresta do Amazonas, inicialmente composta para um filme de Hollywood, e reescrita para concerto. Criada na maturidade de Villa-Lobos, a Canção do Amor e sua contemporânea Melodia Sentimental serviriam de "base" para o cancioneiro moderno de Tom, Edu Lobo e tantos outros.
8. Lampião de gás
(Zica Bergami)
Valsa de coreto, 1957
"Um dia levantei cantando, peguei o violão e fui para o terreiro sem tomar café . Saiu o Lampião de gás." Assim conta D. Zica Bergami, pintora e compositora autodidata e quatrocentona, filha de italianos, sobre esta ode aos bons tempos de São Paulo. Composta em 1957 e gravada por Inezita Barroso em 58, ela "traz as minhas lembranças de uma cidade muito boa para se viver. Está tudo lá, na música."
9. Leilão
(Hekel Tavares/Joraci Camargo)
Canção,1933
Mais uma letra do dramaturgo carioca Joraci Camargo, que fez poucas (e ótimas) parcerias musicais. Esta é com o alagoano Heckel Tavares, um dos pioneiros da música de fronteira entre o popular e o erudito. Uma estória de amor das mais dolorosas, foi do repertório de Grande Otelo, Inezita Barroso, Ciro Monteiro e José Tobias, e foi gravada por Raul Rulien e por Jorge Fernandes, que lançou-a em disco pela Odeon em 1934.
10. Prova de carinho
(Adoniran Barbosa/Hervé Clodovil)
Samba, 1960
Esta é mais uma prova do humor do personagem Adoniran Barbosa, alter ego de João Rubinato. Disfarçado em prova de carinho, lamentando por serenatas perdidas e pelo instrumento emudecido, este samba revela seu lado "nonsense" quando lembramos que o cavaquinho brasileiro não tem uma corda mi.
11. Chuá chuá
(Pedro de Sá Pereira/Ary Pavão)
Toada, 1925
Esta toada foi gravada por tantos intérpretes de música sertaneja que virou quase um hino caipira. No entanto, sua origem é completamente urbana, pois foi composta por gaúchos para uma revista musical carioca, "Comidas, meu santo", encenada com sucesso no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, de junho a setembro de 1925. Cantada no palco por um barítono, Roberto Vilmar, foi gravada um ano depois por Fernando Albuquerque, crooner da Jazz Band Sul Americano Romeu Silva, pela Odeon.
12. Estrada do Sertão
(João Pernambuco/Hermínio Bello de Carvalho)
Toada, 1946/1983
Em 1983, em plena celebração do Centenário de João Pernambuco, Antonio Adolfo estava gravando, com o Nó em Pingo d'Água, a obra do violonista dos Oito Batutas, e tocou no piano a versão instrumental de Estrada do Sertão, compondo inclusive a coda final. Hermínio Bello de Carvalho, que produzia o disco, apaixonou-se pela música, e em cima do arranjo (e coda) do Antonio Adolfo, escreveu esta letra que é uma obra-prima.
13. Tempo e artista
Chico Buarque, 1993
Esta música é do álbum "Paratodos", e para Cida sintetiza todas as outras canções do CD: "Ela espelha o estado atual da minha condição como artista. Acho que para o artista o tempo pode ser absolutamente esclarecedor. Trabalha a nosso favor, nós que precisamos do tempo para cristalizar nossa obra."
por Marcus Fernando
13:48
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CD - lançamento
Luciana Souza - Norte e Sul
Indicada ao Grammy 2003 pelo álbum "Brazilian Duos" (Sunnyside/Biscoito Fino), na categoria Melhor Vocal Feminino, a paulista radicada em Nova York Luciana Souza encerra com seu novo disco, "Norte e Sul" ("North and South") o que a própria artista considera uma trilogia em sua carreira.
Como o próprio título revela, Luciana faz a ponte entre os dois hemisférios onde viveu cada metade de sua vida, unindo elementos do jazz e da música brasileira. Assimiladas as respectivas diferenças culturais, Luciana faz exatamente destas diferenças seu alicerce conceitual.
E surpreende logo de saída, com uma versão de "Chega de Saudade" (Jobim/Vinicius). À interpretação firme e dolente de Luciana - exemplo perfeito da união entre os vigorosos improvisos do jazz com a suavidade sincopada da Bossa Nova - soma-se o piano de Edward Simon.
"I shall wait", de autoria da própria Luciana, equilibra jazz e MPB sob um caráter contemporâneo que redimensiona Nova York e São Paulo, assim como o standard da canção americana "All of me" (Seymours/Marks). A versão de Luciana atém-se à poesia original de Gerald Marks, bem apoiada no contrabaixo de Scott Colley e na bateria de Clarence Penn.
Colley e Penn formam a cozinha em todas as faixas. O saxofonista Donny McCaslin imprime a cadência virtuosa de "No Wonder", outra composição de Luciana. Se o álbum anterior, "Brazilian Duos", centrava-se nos violões de Romero Lubambo e Marco Pereira, "Norte e Sul" é um disco essencialmente pianístico. Além do já citado Simon ("Chega de Saudade", "I Shall Wait" e "Never Let me Go", esta de Livinsgton e Evans), Luciana recrutou Fred Hersch ("When your lover has gone", "Corcovado") e Bruce Barth ("All of Me", transformado num samba sincopado.
É do jornalista Carlos Calado a melhor definição para "When your lover has gone": "Raras cantoras conseguiriam recriar uma canção tão triste e melancólica, como "When Your Lover Has Gone" (de Einar Swan), com a sutileza emotiva e a sofisticação musical que Luciana revela em sua belíssima interpretação". O mesmo comentário poderia ser endereçado a outro standard, desta vez da música brasileira - e internacional - "Corcovado" (Jobim). O famoso riff de Jobim, executado pelo baixo de Scott Colley, cria a atmosfera para o canto de Luciana, com grande dose de melancolia.
por Marcus Fernando
13:35
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Segunda-feira, Agosto 04, 2003
CD - lançamento
série 2 em 1 (EMI)
Acaba de ser lançada uma nova leva da série 2 em 1 da EMI, que reúne dois LPs em um CD, dos catálogos da Odeon, Copacabana e Marcus Pereira. Alguns títulos são inéditos em CD, alguns misturam um disco inédito com outro já lançado e outros repetem edições antigas da 2 em 1. Sob uma arte gráfica feia, a série abriga algumas preciosidades. Aqui estão alguns títulos:
ELZA SOARES E MILTINHO
Elza, Miltinho e samba (Odeon/1967)
Elza, Miltinho e samba vol.2 (Odeon/1968)
CLEMENTINA DE JESUS
Gente da Antiga (Odeon/1968)
Marinheiro Só (Odeon/1973)
ATAULFO ALVES
Ataulfo Alves e suas pastoras (Odeon/1969)
Ataulfo Alves (Odeon/1970)
DALVA DE OLIVEIRA
É Tempo de Amor (Odeon/1968)
Bandeira Branca (Odeon/1970)
MOREIRA DA SILVA
Morengueira (Odeon/1968)
Conversa de Botequim (Odeon/1970)
NANA CAYMMI
"...e a gente nem deu nome" (Odeon/1981)
Chora Brasileira (Odeon/1985)
NANA CAYMMI
Nana Caymmi (Odeon/1979)
Mudança dos Ventos (Odeon/1980)
CLARA NUNES
Alvorecer (Odeon/1974)
Canto das Três Raças (Odeon/1976)
CLARA NUNES
Claridade (Odeon/1975)
As Forças da Natureza (Odeon/1977)
MARIA BETHÂNIA
Maria Bethânia (Odeon/1969)
Maria Bethânia ao vivo (Odeon/1970)
RAUL SEIXAS
Uah-bap-lu-bap-lah-béin-bum! (Copacabana/1987)
A Pedra do Gênesis (Copacabana/1988)
SIMONE
Cigarra (Odeon/1978)
Pedaços (Odeon/1979)
IVAN LINS
Nos Dias de Hoje (Odeon/1978)
Novo Tempo (Odeon/1980)
IVAN LINS
Somos Todos Iguais Nesta Noite (Odeon/1977)
A Noite (Odeon/1979)
SÁ, RODRIX & GUARABYRA
Terra (Odeon/1973)
Passado, Presente e Futuro (Odeon/1974)
GONZAGUINHA
Plano de Vôo (Odeon/1975)
Caminhos do Coração (Odeon/1982)
DEMÔNIOS DA GAROA
Os Demônios da Garoa (Odeon/1958)
Demônios da Garoa (Odeon/1961)
DJAVAN
Djavan (Odeon/1978)
Seduzir (Odeon/1980)
PAULINHO DA VIOLA
Paulinho da Viola (Odeon/1971)
Paulinho da Viola (Odeon/1971)
14 BIS
14 Bis (Odeon/1979)
14 Bis (Odeon/1980)
LECI BRANDÃO
Antes Que Eu Volta a Ser Nada (Marcus Pereira/1975)
Leci Brandão (Copacabana/1985)
BETH CARVALHO
Pra Seu Governo (Tapecar/1974)
Canto por um Novo Dia (Tapecar/1973)
ADONIRAN BARBOSA
Adoniran Barbosa (Odeon/1974)
Adoniran Barbosa (Odeon/1975)
MAYSA
Canecão apresenta Maysa (Copacabana/1969)
Maysa (Copacabana/1969)
BETO GUEDES
A Página do Relâmpago Elétrico (Odeon/1977)
Amor de Índio (Odeon/1978)
LÔ BORGES
Nuvem Cigana (Odeon/1981)
Solo (Odeon/1987)
O encarte traz as capas originais e, em alguns casos, informações extraídas do LP, tais como textos e fichas técnicas. Quase todos os títulos contém tecnologia de cópia controlada.
Os CDs estão sendo vendidos com exclusividade na rede de supermercados Extra a R$ 9,90.
por Marcus Fernando
08:21
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