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Segunda-feira, Setembro 29, 2003  

CD - lançamento
Odeon 100 Anos - fase 3


Eduardo Gudin - Eduardo Gudin
Lançado em 1973, este é o disco de estréia do compositor paulista. "Choro do amor vivido", parceria com Walter de Carvalho e finalista do IV FMPB da TV Record em 1968, aparece aqui com arranjo de Hermeto Paschoal. A maior parte do repertório é formada por parcerias com Paulo Cesar Pinheiro, com arranjos de Miguel Briamonte: "Olha o que ela fez", "A velhice da porta-bandeira", "E lá se vão meus anéis" (sucessos dos Originais do Samba), "Labirintos" (esta com arranjo do próprio Gudin), "Sozinho", "Desperdício", "Dia de muiro e véspera de nada" e "Deixa teu mal". Algumas faixas trazem a participação da cantora Jane Moraes, do grupo Os 3 Moraes.



Dóris Monteiro - Dóris
Quem conheceu "De noite na cama" (Caetano Veloso) com Marisa Monte e "É isso aí" (Sidney Miller) com Paula Lima, precisa saber que Dóris Monteiro já lançava essas músicas com todo suingue neste disco de 1971. Com arranjos de Geraldo Vespar, ela vai de Antonio Carlos e Jocafi ("Mas que doidice"), Noel Rosa ("Conversa de Botqeuim"), Sergio Sampaio ("Coco Verde"), Vinicius de Moraes ("Mais um adeus"), entre outros.



Nelson Cavaquinho - Nelson Cavaquinho
Neste disco de 1973, Nelson Cavaquinho mostra seus dotes no instrumento que virou seu sobrenome no choro "Caminhando" e apresenta o parceiro Guilherme de Brito em "A flor e o espinho", "Se eu sorrir", "Quando eu me chamar saudade" e "Pranto de Poeta". Difícil não se emocionar ouvindo a voz rouca e o violão marcante do compositor em "Juízo Final", "Folhas Secas", "Minha Festa", "Rugas", "Vou Partir", entre outras.



Fatima Guedes - Fatima Guedes
Primeiro disco da compositora carioca, lançado em 1979, traz um repertório completamente autoral que surpreendeu a todos pela maturidade e contundência. Com apenas 20 anos de idade ela já assinava canções como "Onze Fitas" (gravada depois por Elis Regina), "Meninas da Cidade", "Fulano, beltrano e sicrano" e "Madame". A capa traz o trabalho de Mello Menezes e os arranjos ficaram por conta de Gilson Peranzzetta e Oscar Castro Neves.



Johnny Alf - Nós
Neste disco de 1974, o mestre Johnny Alf é homenageado através de canções e/ou participações de Egberto Gismonti ("Saudações"), Ivan Lins ("Um gosto de fim"), Gilberto Gil ("Músico Simples"), Milton Nascimento ("Outros Povos") e Gonzaguinha ("É um cravo e tem espinho"). A ficha técnica traz ainda nomes como Wagner Tiso, Victor Assis Brasil, Paulo Moura, Toninho Horta, Arthur Verocai, Tenório Jr., entre outros. No repertório também estão os clássicos "Nós" e "O que é mar".



Isaura Garcia - A Pedida é Samba
Paulistana do Brás, Isaurinha Garcia é acompanhada pelo grupo do seu então marido, o pianista Walter Wanderley neste disco de 1961. Ela mostra toda sua verve para interpretar sambas bem-humorados como "Velho Enferrujado", "Zé do Contra" e "Velho Gagá" e canta a dor em "Chorou, chorou" (Luiz Antônio) e "Que é que eu faço" (Dolores Duran/Ribamar). O disco traz ainda um dos primeiros registros de "Água de Beber" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes). A capa traz a assinatura de Cesar Villela, responsável pelo visual inovador dos discos da Elenco.



Simone et Roberto Ribeiro avec João de Aquino - À Bruxelles - Brasil Export 73
Levados pelo produtor Hermínio Bello de Carvalho para a feira Brasil Export em Bruxelas, Simone e Roberto Ribeiro gravaram este disco em 1973 ao lado do violonista João de Aquino. O repertório vai de "Berimbau" (Baden Powell/Vinicius de Moraes) (no violão tenso de João de Aquino) a "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá/Antonio Maria) (na interpretação de Roberto Ribeiro), passando por "Voltei pro morro" (Luiz Peixoto/Vicente Paiva Ribeiro), "Não tenho lágrimas" (Milton de Oliveira/Max Bulhões) e "Lamento Negro" (Humberto Porto/Secundino). Destaque para três sambas-de-roda adaptados por Simone:"Que navio é esse?", "Lavadeira do Taboão" e "Vai lavar o siri".

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Sábado, Setembro 27, 2003  

JUSTIÇA
Simonal é inocentado da acusação de delatar Caetano e Gil durante ditadura



O cantor Wilson Simonal, morto em 2000, é inocente da acusação de ter agido como alcagüete da polícia política, durante a ditadura militar no País. A conclusão é da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB, depois de analisar um processo inédito aberto a pedido de amigos e familiares de Wilson Simonal.

Sucesso estrondoso, a carreira de Simonal entrou em rápido declínio no início da década de 70, ocasião em que o cantor foi acusado por alguns setores da imprensa de ter delatado colegas, dentre os quais Caetano Veloso e Gilberto Gil, aos órgãos de segurança.

Com a declaração de inocência, a Comissão da OAB considera desagravada a memória de Simonal, julgado sem que contra ele pesasse uma acusação formal e sem direito a defesa, conforme o devido processo legal. Pior, foi condenado pela opinião pública sem evidências que comprovassem as acusações. A última reunião sobre o assunto foi feita no dia 14 de setembro e contou com a presença do filho de Simonal, o compositor e também cantor Simoninha, e da advogada da família, Joice Ruiz.

O processo foi iniciado em janeiro de 2002. Amigos e familiares pediram providências para a reabilitação moral de Wilson Simonal, se depois de analisada a matéria se constatasse sua inocência. "A Comissão não é um tribunal para decidir sobre a questão formulada, mas proferiu sua conclusão baseada na força moral da OAB, entidade à qual se vincula", explicou o conselheiro federal Rogério Portanova (SC).

O relator da matéria no âmbito da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, o advogado Antônio Ribeiro Romanelli, explicou que a primeira preocupação foi obter o maior número possível de informações. Com base em farto material de vídeo e jornais enviados pela família, elaborou-se uma lista com dezenas de nomes de pessoas que teriam algo a falar sobre o caso.

Foram enviadas mais de cem cartas, mas inicialmente houve resposta apenas do jornalista Everaldo Lopes e de João Bastos Santana (o requerente inicial do processo). A Comisão entendeu que precisava de mais manifestações e mandou nova remessa de cartas. Responderam: Chico Anysio, Miele, Ronnie Von, o produtor musical Cláudio Manoel Mascarenhas Pimentel e Jair Rodrigues.

"Só podia acusar Wilson Simonal de ter sido delator do SNI quem não o conhecia", escreveu Chico Anysio. "Eu até admito que, por absoluta ignorância política, Simonal aceitasse vir a ser o diretor Geral do SNI, mas ser um dedo duro, quem o conheceu sabe que ele jamais aceitaria ser". Para o comediante, Simonal "incomodava a uns tantos, que não suportavam ver aquele negro com a fita na cabeça, um suíngue absoluto, um ar de modéstia e ainda cantando olhando nos olhos das moças que brigavam por um lugar nas primeiras filas exatamente para serem olhadas por ele".

O jornal O Pasquim, que teve muito prestígio na época, especialmente entre os jovens, dedicou um número inteiro às supostas delações de Simonal, "Muito me entristeceu que o Jaguar, um humorista por profissão, tenha sido capaz de dizer esta frase: Hoje eu sei que ele sempre foi inocente, mas não me arrependo do que fizemos," relatou Chico Anysio.

Notícias de jornais dos anos 90, quando Simonal tentou retomar sua carreira, dão conta de fatos importantes, segundo o relator Antonio Romanelli. O Jornal da Tarde, em sua edição de 7 de maio de 1992, informava: "Os compositores e cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso convieram sem qualquer problema com Wilson Simonal na época áurea da TV Record e nunca levaram a sério o que Gil chama de "teia de fofocas" em torno de Simonal. Não me lembro de qualquer episódio complicado ou embaraçoso com ele, para mim é uma surpresa saber que ele foi acusado de nos ter delatado. Eu me lembro do Randal Juliano. Várias reportagens da época o apontavam como denunciador. O estranho, com relação a Simonal, é que nenhum 'dedodurado' veio a público dizer que o delator era ele".

Do processo consta, ainda, documento de caráter oficial, assinado em janeiro de 1999 pelo então secretário de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, afirmando que, realizada pesquisa nos arquivos dos órgãos federais, especialmente do SNI e do Centro de Inteligência do Exército, não foi encontrado nenhum registro de evidências que apontem Wilson Simonal como colaborador, servidor ou prestador de serviços, mesmo como informante, dos referidos órgãos, durante o regime de exceção vivido no País. Consta, ainda, no mesmo teor, uma certidão emitida pelo gabinete do ministro do Exército e assinada, por ordem, pelo general Carlos Pereira Gil. Por se tratar de um caso excepcional, será levado à apreciação final do Conselho Pleno da OAB, em data a ser definida.

da revista Consultor Jurídico

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Sexta-feira, Setembro 26, 2003  

PERFIL
João Donato
por Zuza Homem de Mello



Afirmar que João Donato está entre os melhores entertainers do Brasil pode soar como disparate ou lábia de empresário sabido. Na música brasileira, João Donato (1934- ) é antes de tudo o compositor e pianista, depois o arranjador respeitado no meio profissional e, para os mais descuidados, um zé-ninguém maluco que faz música complicada.

E o entertainer? Imprevisível .Seus espetáculos subvertidos têm o toque de sutileza que conquista. A música de Donato, como a do jazzista americano Thelonious Monk (1917-1982), é bem-humorada. No palco ele é hilariante, ao som de um piano magistral, preciso, flutuante, desvendando esconderijos harmônicos sob uma melodia elementar, como nas econômicas quatro notas de "A Rã". Seus procedimentos inusitados partem de células muito simples: são repisadas com insistência em "Daquele Amor Nem Me Fale", reaproveitadas em modulações na Segunda parte de "Nua Idéia", romantizadas em "Simples Carinho", repetidas com deslocamentos rítmicos em "Lugar Comum", induzindo à alegria em "Nasci Para Bailar".

Esses e outros títulos são agora familiares a cantores, mas nem sempre foi assim. Para grandes artistas, o tempo trabalha a favor.

A obra de Donato foi sendo descoberta sem urgência, à medida que as letras foram incorporadas a seus temas. Deixou de ser o autor pré-bossa-nova idolatrado pelos músicos e vocalistas de conjuntos dos anos 50, ou o jazzista latino que tocava na Califórnia nos anos 60. Quando refinadas composições sem título ou despretensiosamente numeradas como "Leila IV" ganharam letra, tornaram-se canções brasileiras. Nasceu "A Paz"; "Silk Stop" passou a ser "Janelas Abertas"; "Jodel" virou "café com Pão"; "You Can Go" é "Até Quem Sabe"; e todas puderam ser cantadas. De autor de temas, Donato converteu-se em compositor, tornou-se a Gata Borralheira da música brasileira.

Houve época em que se pensou que os tams de Mok eram apenas bebop. A música de Donato é original, excêntrica, heterodoxa, essencialmente harmônica. A melodia pueril esconde um encadeamento de mudanças sutis, tem uma condução lógica, uma solução brilhante; o ritmo enganadoramente desencontrado tem um impulso dançante interno alimentado pela síncope. Depois de terminada a canção é que se revela a coerência do desenvolvimento singular, partindo de uma idéia tão simples.

Não é raro que, no meio de um solo, Donato levante as duas mãos do teclado, como um indeciso que não sabe prosseguir, e olhe as 176 teclas de ébano e marfim, imaginando onde vai atacar. A células cerebrais entram em ebulição, súbito vem a decisão. Baixa os dez dedos num acorde, deixa o som vibrar fartamente, regalando-se com a própria criação, estampada na imagem de plena satisfação. Fecha os olhos, feliz. Em segundos, a criação tomas sua forma abstrata e concreta, o paradoxismo da música.

Thelonious Monk também era assim.

João Donato se define em duas frases: "Sei fazer música. Meu livro é uma vida aberta".

Zuza Homem de Mello é jornalista e produtor, autor de A Canção no Tempo (com Jairo Severiano) e A Era dos Festivais, entre outros.

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GIRO

Revista Música Brasileira
Bosco e Blanc dão show de bola no songbook do João
Perfil: Paulo Cesar Pinheiro
Memória: Garoto

Gosto de Samba
Lembrando Zé Keti

Arte Musical
Um pouco sobre a carreira de Célia Vaz
Ronaldo Bastos: sua poesia e seus parceiros
Mais um pouco sobre o talento de Joyce
A arte musical de Maurício Maestro
Toda a musicalidade de Djavan

Jornal Movimento
Eu Conto a História Como Ela Aconteceu: Aracy de Almeida

Revisita MPB
Vinicius de Moraes
Lupicínio Rodrigues
Zé Luiz Mazziotti
Ismael Silva

CliqueMusic
Maria Bethânia inaugura sua Quitanda
(Re)nasce uma estrela em Maria Rita Mariano

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Quinta-feira, Setembro 25, 2003  

CD - lançamento
Ary Barroso - Ontem e Hoje



No ano em que se comemora o centenário do compositor mineiro Ary Barroso (1903-1964), a BMG lança este CD duplo que reúne alguns de seus clássicos nas vozes de intérpretes contemporâneos do autor e gravações mais recentes.

CD 1
1. Faceira - Silvio Caldas
2. Tenho Saudade - Elisa Coelho
3. Maria - Silvio Caldas
4. Na Batucada da Vida - Carmem Miranda
5. Na Virada da Montanha - Francisco Alves
6. Faceira/Foi Ela/Terra de Iaia - Ary Barroso
7. Camisa Amarela - Aracy de Almeida
8. Os Quindins de Yaya - Ciro Monteiro
9. Foi Ela - Francisco Alves
10. Aquarela do Brasil - Anjos do Inferno
11. No Rancho Fundo - Isaura Garcia
12. Rio de Janeiro - Francisco Carlos
13. Risque - Linda Batista
14. Chorando - Jacob do Bandolim

CD 2
1. Aquarela do Brasil - Gal Costa
2. Caco Velho - Paulinho da Viola
3. Na Batucada da Vida - Miúcha e Tom Jobim
4. Morena Boca de Ouro - Cauby Peixoto
5. No Tabuleiro da Baiana - João Bosco
6. Folha Morta - Fagner
7. Na Baixa do Sapateiro - Maria Creuza
8. Faceira - Chico Buarque
9. Canção em Tom Maior - Angela Maria
10. Isto Aqui o Que é? - Novos Baianos
11. É Luxo Só - Elizeth Cardoso
12. Pra Machucar Meu Coração - Nelson Gonçalves
13. Terra Seca - Virginia Rodrigues
14. Inquietação/Faceira/Aquarela do Brasil - Dominguinhos

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Quarta-feira, Setembro 24, 2003  

CD - o que vem por aí
Velha Guarda do Salgueiro



Inovação e criatividade têm sido a marca do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, que traz como lema "nem pior nem melhor, apenas uma escola diferente".

Essa história é feita de muito samba e fatos marcantes. É, por exemplo, a única Escola de Samba do Rio de Janeiro que sempre esteve entre as oito primeiras colocadas, desde seu primeiro desfile em 1954. Dos 49 campeonatos que participou, só em nove não ficou entre as cinco primeiras classificadas. É do Salgueiro o samba considerado o "mais famoso de todos os tempos", cantado no mundo inteiro, "Festa Para um Rei Negro (Pega no Ganzê)", que deu à Escola o campeonato de 1971. Sem preconceitos, foi a primeira agremiação a fazer um desfile homenageando outra, a Mangueira, em 1972, cujo samba-enredo, "Mangueira: Minha Madrinha Querida (Tengo Tengo)", tornou-se um sucesso em todo o Brasil. Além disso, foi a primeira a ter reportagem na prestigiada revista norte-americana Time e a estrear no exterior (Cuba).

O Salgueiro foi fundado em 5 de março de 1953, resultado da união de duas das escolas de samba do Morro do Salgueiro (Tijuca): a Azul e Branco do Salgueiro e Depois Eu Digo, às quais, posteriormente, se juntou a Unidos do Salgueiro. Já em seu primeiro desfile, com o enredo "Romaria à Bahia", em 1954, mostrou que já nasceu grande, ficando com a terceira colocação. Foi celeiro de boa parte dos grandes carnavalescos, entre eles Fernando Pamplona, Joãosinho Trinta, Maria Augusta, Renato Lage, Rosa Magalhães, Max Lopes, Arlindo Rodrigues, Ney Ayan, Viriato Ferreira e Fernando Pinto.

O CD "Velha Guarda do Salgueiro", registro de show realizado na Sala Baden Powell, Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano, é lançado pela Lua Discos no ano do cinqüentenário da Escola.

Produzido por Josimar Monteiro, o disco traz um panorama da história musical do Salgueiro. Sambas clássicos, de compositores mitológicos como Geraldo Babão, Anescarzinho, Noel Rosa de Oliveira, Zuzuca, Antenor Gargalhada e muitos outros, verdadeiros patrimônios da cultura nacional. Entre eles, "Festa para um Rei Negro (Pega no Ganzê)", para o desfile de 71, no qual o Salgueiro inovou, abordando pela primeira vez, na avenida, a temática negra; "Chica da Silva", de 63, quando a escola trouxe como novidade uma ala de 12 pares de nobres que dançavam uma polca em ritmo de samba, o Minueto de Chica da Silva. Além de "1800 Colinas" (um dos primeiros grandes sucessos de Beth Carvalho), "O Neguinho e a Senhorita", "Quilombo dos Palmares", "Bahia de Todos os Deuses" e "Mangueira: Minha Madrinha Querida (Tengo, Tengo)".

A Velha Guarda do Salgueiro é atualmente integrada por João da Valsa, Mocinha, Claudio Sargento, Flávio Oliveira, Bombeiro, Curumim, Ieda Maranhão e Caboclinha.

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CD - lançamento
Songbook João Bosco



Último trabalho do produtor Almir Chediak, assasinado em maio deste ano, chega agora ao mercado o Songbok João Bosco (Lumiar) em 3 volumes.

O CD 1 abre com um belo vocal de Milton Nascimento em "Caça à Raposa". O arranjo de Cristóvão Bastos, centrado nos metais, é o destaque de "Bala com Bala", cantada por Edu Lobo. Chico Buarque está correto em "Incompatibilidade de Gênios", com auxílio luxuoso da cuíca certeira de Ovídio Brito. Zizi Possi começa bem, mas depois exagera nos vocais em "Quando o amor acontece". Luiz Melodia soa burocrático em "Latin Lover". "O Rancho da Goiabada" tem uma nova roupagem com Zélia Duncan e Pedro Luiz e A Parede, com direito à percussão característica do grupo. A metaleira é mais uma vez o destaque do arranjo de Cristóvão Bastos em "Coisa Feita", na voz de Alcione. Moska se mostra um intérprete sem brilho em "Assim sem mais", acompanhado pelo cello de Jacques Morelenbaum. A voz de Leila Pinheiro e o piano de João Donato não salvam a fraca "Indeciso Coração". A voz de Zeca Baleiro funciona bem para o clima de "Das Dores de Oratórios". Chico César mais uma vez fracassa como intérprete de obra alheia em "A nível de...". "Mama Palavra" poderia ter sido composta por Arnaldo Antunes e por isso ele está tão à vontade. "Memória da Pele" perde muito de sua força na voz contida de Rosa Passos. Emílio Santiago põe todo seu belo grave a serviço de "Siameses", num dueto arrebatador com Leny Andrade. O grand finale fica por conta do próprio João Bosco, dividindo a clássica "O bêbado e a equilibrista" com o parceiro Aldir Blanc, com acompanhamento dos músicos do Água de Moringa.

O CD 2 começa com Daniela Mercury, que decepciona em "Corsário". "Nação" parece ter sido feita para Simone tal a intimidade que ela demonstra com a música, acompanhada somente pelo violão do autor. Outro muito à vontade é Gilberto Gil em "Odilê, Odilá". "Linha de Passe" ganha versão voz e violão de Ana Carolina. Ivan Lins foi escolha perfeita para "O cavaleiro e os moinhos", em arranjo criativo de Ricardo Silveira. Beth Carvalho mostra seu talento em "Kid Cavaquinho". Elba Ramalho não brilha em "Flor de Ingazeira". Zé Renato e Marco Pereira esbanjam delicadeza em "Bodas de Prata". Edson Cordeiro usa sua versatilidade vocal em "Miss Suéter". O lindo arranjo de Antonio Adolfo para "Transversal do Tempo" merecia uma intérprete melhor que Sandra de Sá. Dori Caymmi emociona com sua voz e seu violão em "Agnus Sei". Tunai, irmão do autor, assume "De Frente pro Crime", com arranjo de Wagner Tiso. "Doce Sereia" traz Joyce acompanhada do Quarteto Maogani. Dudu Nobre não domina "Escadas da Penha". Emilio Santiago arrasa em "Preta-porter de tafetá", com mega-arranjo de Leandro Braga.

O CD 3 resgata a dupla Burnier & Cartier que assume os violões e se junta a Ed Motta em "Bijuterias". Ricardo Silveira injeta uma dose de pop no arranjo de "Jade" para a interpretação de Pedro Mariano. O Quarteto Maogani prepara o terreno para a criativa interpretação de Lenine em "O Ronco da Cuíca". Sandra de Sá põe acento black em "Tiro de Misericórdia". "Desenho de Giz" ganha interpretação delicada de Djavan. Martinho da Vila divide "O mestre-sala dos mares" com João Bosco. Zeca Pagodinho está perfeito em "Boca de Sapo". O violão de Yamandu Costa brilha em "Papel Machê", apesar de Paula Toller. Cristóvão Bastos repete em "Falso Brilhante" o arranjo abolerado que costuma fazer para Nana Caymmi, que não foi boa escolha pra esta canção. Leila Pinheiro e Guinga acertam em "Senhora do Amazonas". Jussara Silveira tem interpretação correta em "Sábios costumam mentir". "Enquanto espero" ganha teatralidade na voz de Ney Matogrosso. Dominguinhos tem o estilo adequado para "Nossas últimas viagens". Fatima Guedes capta com maestria a emoção de "Saída de Emergência". Cauby Peixoto mostra que é um grande intérprete mesmo economizando nas firulas vocais em "Dois pra lá, dois pra cá". Jards Macalé encerra com "Siri recheado e o cacete".

Assim como todos os outros da série, esse songbook resulta irregular. Ainda assim é uma revisão importante da obra de um grande compositor.

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Terça-feira, Setembro 09, 2003  

CD - lançamento
Francis Hime - Brasil Lua Cheia



Este é o 10° disco da carreira de Francis Hime e o primeiro inteiramente gravado pela Biscoito Fino. Com repertório formado somente por músicas inéditas, ele inaugura parcerias com Lenine, Adriana Calcanhotto, Paulinho da Viola, Joyce e Moraes Moreira, além de novas investidas cancioneiras com Paulo César Pinheiro, Geraldo Carneiro, Cacaso, Olivia Hime e Vinicius de Moraes.

"Brasil Lua Cheia" é um disco de compositor e orquestrador. Reúne de uma maneira mais abrangente, as várias vertentes da música de Francis Hime. São quatorze canções, escolhidas entre as mais de 50 inéditas que Francis dispunha. Paralelamente ao trabalho de composição, Francis buscou um caminho de instrumentação, primando pela variação de cores e timbres, dando uma atenção especial aos diferentes naipes orquestrais.

Temos, assim, formações que privilegiam ora as cordas, ora os metais, ora as palhetas e momentos onde as sonoridades convergem de maneira a produzir um resultado sonoro de uma orquestra sinfônica. Certamente, influências do seu trabalho anterior, quando escreveu a "Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião".

Por outro lado, Francis procura variar o tratamento dado às chamadas "bases", de acordo com o que cada música sugere, usando violões, cavaquinhos, guitarras, bandolins e diferentes percussões que vêm dar a unidade a todo este trabalho.

A faixa-título, "Brasil Lua Cheia", resume o espírito do álbum. A cadência remete a clássicos como "Vai Passar", absolutamente antenado com a filosofia de Moraes Moreira: "Sambando / a esperança me disse / eu sonho um Brasil Lua Cheia / sem essa de eclipse / Na vida ninguém paga meia".

"Menina", outra parceria com o ex-Novo Baiano, pincela elementos latinos, entre a rumba e o mambo. Ao contrário de "Brasil Lua Cheia", onde Francis musicou uma poesia de Moraes, aqui foi este quem letrou a música daquele. "Cinema Brasil" é a primeira canção feita a quatro mãos por Francis e Joyce. A autora foi buscar em antigas películas o enredo da letra que incorpora Grande Otelo, Oscarito e Dercy Gonçalves à revolução estilística do Cinema Novo, passando por Leila Diniz, Márcia Rodrigues e Dina Sfat, até dobrar-se ante a grandeza de Fernanda Montenegro.

Dos novos parceiros, Adriana Calcanhotto e Lenine, mais ambientados no segmento pop/rock, podem sugerir surpresa ao ouvinte menos atento, mas universos supostamente distintos acabam por estabelecer uma cumplicidade poucas vezes vista na MPB contemporânea. Adriana fez a letra de "Um Seqüestrador" sobre uma música composta por Francis e Vinicius de Moraes na década de 70. A própria Adriana canta junto com Francis.

Já Lenine fez os versos do samba "Pó de Granito", unindo Rio e nordeste em compasso de pós-modernidade. O músico pernambucano interpreta ainda, em dueto com Francis, a toada "Corpo Feliz", com letra do poeta Cacaso. De Cacaso também são as estrofes de "Minas Goiás". A melodia empresta sofisticação às trilhas rurais preconizadas pelo poeta. Paulinho da Viola fez a letra para "Choro Incontido", que canta junto com Francis, no disco.

Dentre os colaboradores de sempre, nesses 40 anos de carreira (as primeiras composições de Francis foram criadas em 1963, com letras de Vinicius de Moraes), não poderiam faltar Paulo César Pinheiro, Geraldo Carneiro e Olivia Hime, além do próprio Vinicius. A inédita "Meu Coração" é um samba-choro, com letra do poetinha. O

Com Paulo César Pinheiro, Francis apresenta a alegórica "No Parangolé do Samba", onde Pinheiro letrou a sua música. Já na reflexiva "Navios", foi o inverso, com Francis musicando o poema do parceiro. É o mesmo caso de "O Amor Passou", de uma safra recentíssima de poemas de Geraldo Carneiro, todos musicados por Francis. Já com Olivia, o processo de parceria começa pela música, que depois, recebe os versos dela. Foi assim com "Disfarçando" e "Canção Transparente", esta, por sinal, a última música composta para o disco.

Além da direção de estúdio, assinada por David Tygel, vale ressaltar a participação de músicos como Robertinho Silva, Ricardo Silveira, Jorge Hélder, Rômulo Gomes, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Carlos Bala, Marcelo Bernardes, Vittor Santos, Paulo Sérgio Santos, Cristiano Alves, Celsinho Silva, Jessé Sadock, Celso Woltzenlogel, Pedro Amorim, Aloísio Fagerlande, entre outros.

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