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Sexta-feira, Outubro 31, 2003  

DVD - lançamento
Luiz Gonzaga - Danado de Bom



Este DVD traz o registro do show de despedida de Luiz Gonzaga, gravado em maio de 1984 e exibido pela Rede Globo.

Em duetos com Sivuca, Dominguinhos, Elba Ramalho, entre outros, Gonzagão desfila seus sucessos, como "Asa Branca", "Pagode Russo" e "Sebastiana".

Os extras incluem uma matéria com Ernesto Paglia mostrando a fazenda do cantor, outra que mostra a volta dele à Exu, sua terra natal, 16 anos depois, o reencontro com Gonzaguinha em agosto de 1980 no Festival da Canção, uma inusitada apresentação com o Coral da Gama Filho na qual ele interpreta "Maria" (Ary Barroso/Luiz Peixoto) e imagens raras da TV Tupi em 1953.

O áudio em 2.0 foi restaurado e as legendas trazem as letras das músicas.

O especial está disponível também em VHS em um kit juntamente com um CD.

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Quinta-feira, Outubro 30, 2003  

O PRIMEIRO DISCO DE
Chico Buarque


Chico Buarque de Hollanda (RGE/1966)

A estréia fonográfica de Chico Buarque se deu com um disco de sambas.

O próprio compositor admite no início do texto de apresentação:
"Pouco tenho a dizer além do que vai nestes sambas."

E o tema é recorrente em várias músicas:
"Tem mais samba no encontro que na espera" (Tem mais samba)
"Tem samba de sobra, quem sabe sambar, que entre na roda, que mostre o gingado" (Olê, olá)
"Você diz que minha rosa é frágil, que o meu samba é plágio" (Você não ouviu)
"Declarou ao delegado não saber se o amor é crime ou se samba é pecado" (Juca)
"Mas se o samba quer que eu prossiga, eu não contrario não" (Amanhã, ninguém sabe)
Aliás seu primeiro show oficial foi na série "Mens sana in corpore samba" promovida pelo radialista Walter Silva.

O repertório traz ainda marcha-rancho, modinha, choro e canção.
A Banda, gravada em 1965 pela cantora Maricene Costa, seria seu primeiro grande sucesso e dividiria o primeiro lugar do Festival da Record em 1966 com Disparada (Geraldo Vandré/Théo de Barros).
Meu refrão foi também nome de um show na boate carioca Arpège que o compositor dividiu com Odete Lara e MPB-4.
Sonho de um carnaval havia sido defendida em 1965 por Geraldo Vandré no I Festival da MPB da TV Excelsior.

Aos 21 anos, Chico já demonstrava genialidade em seus versos.
Reparem, por exemplo, na divisão melódica de A Rita em contraponto com a letra:
"A Rita levou meu sorriso no sorriso dela
Meu assunto levou junto com ela
E o que me é de direito arrancou-me do peito"
E ainda:
"Madalena foi pro mar e eu fiquei a ver navios" (Madalena foi pro mar)
Ela e sua janela já antecipava a Carolina do terceiro disco:
"Da sua janela, imagina ela, por onde hoje ele anda, e ela vai talvez, sair uma vez na varanda"
O viés de protesto social já estava presente nesta estréia nos sessenta versos de Pedro Pedreiro:
"Esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem, esperando um filho para esperar também, esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o norte, esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim nada mais além"

Gravado em regime de urgência no estúdio da RGE, no segundo andar de um prédio na rua Paula Souza, no centro de São Paulo, produzido por Manoel Barenbein, este primeiro disco já prenunciava a rica obra que o compositor viria a perpetrar e que hoje conhecemos.

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Quinta-feira, Outubro 16, 2003  

O que vem por aí
Choro - Grandes Solistas



A EMI coloca no mercado este mês uma coleção que traz 10 grandes solistas do choro:

OS CHORÕES - Chorinhos da Pesada
1. Pé na Tábua
2. Bate Papo
3. Na Glória
4. Doce Melodia
5. Linda Erika
6. Peguei a Reta
7. Bentevi Atrevido
8. Teclas Pretas
9. Chorinho de Gafieira
10. Sonoroso
11. Haroldo no Choro
12. Limoeiro do Norte

ABEL FERREIRA - Brasil, Sax e Clarineta
1. Corta-Jaca
2. Sorriso de Cristal
3. Machucando
4. Rapaziada do Braz
5. Chorando Baixinho
6. André de Sapato Novo
7. Cochichando
8. Sai da Frente
9. Haroldo no Choro
10. Luar de Coromandel
11. Saxofone, Por que Choras
12. Alma Brasileira

RADAMÉS GNATTALI - Radamés Gnattali Sexteto
1. 1 X 0
2. Cochichando
3. Urubu Malandro
4. Sofres Porque Queres
5. Meu Amigo Tom Jobim
6. Nova Ilusão
7. Por um Beijo
8. Divertimento para Seis Instrumentos

DÉO RIAN - Choros de Sempre
1. Mistura e Manda
2. Helena
3. Lamento
4. Vou Vivendo
5. Queixumes
6. Julieta
7. Noites Cariocas
8. Primas e Bordões
9. Soluçando
10. Tristezas de um Violão
11. Sentimento Oculto
12. Tatibitate

GAROTO - O gênio das cordas
1. Um a Zero
2. Lingua de Preto
3. Perigoso
4. Baião Caçula
5. Desvairada
6. Tristezas de um Violão
7. Sempre
8. Arranca Toco
9. Um Baile em Catumby
10. Choro Triste No. 2
11. Vamos Acabar com o Baile
12. Famoso
13. Polquinha Sapeca
14. São Paulo Quatrocentão

ALTAMIRO CARRILHO - Choros Imortais no. 2
1. Urubu Malandro
2. Sonoroso
3. Aperitivo
4. O Que Tu És (Três Estrelinhas)
5. Flamengo
6. Só para Moer
7. Arranca Toco
8. Entre Amigos
9. Seresteiro
10. Modulando
11. Espinha de Bacalhau
12. O Saci da Flauta

RAUL DE BARROS - Brasil Trombone
1. Na Glória
2. Chorinho de Gafieira
3. Voltei ao Meu Lugar
4. Pára-quedista
5. Violão Vadio
6. Saudade da Bahia
7. Bronzes e Cristais
8. Baltazar
9. Dora
10. Pó Ró Ró Pó Ró Ró
11. Folhas Secas
12. O Trombonista Romântico

O JOVEM PIXINGUINHA - Gravações de 1919 a 1920
1. Sofres Porque Queres
2. Rosa
3. Os Oito Batutas
4. Eu Também Vou
5. Os Dois Que Se Gostam
6. Tapa Buraco
7. Os Teus Beijos
8. Ainda Existe
9. Vamos Brincar
10. Pretensioso
11. Recordando
12. Lamentos
13. Desprezado
14. Carinhoso

ÉPOCA DE OURO - Dino 50 Anos
1. Meu Sonho
2. Orgulhosas
3. Subindo a Serra
4. Cinema Mudo
5. Pretensioso
6. Exaltação à Bahia
7. Acreditei nos Beijos Dela
8. Minha Crença
9. O Meu Amigo
10. Caixinha de Música
11. Ternura
12. Um Cachorrinho no Circo Voador

CANHOTO DA PARAÍBA - O violão brasileiro tocado pelo avesso
1. Tua Imagem
2. Amigo Sena
3. Corrinha
4. Com Mais de Mil
5. Lembrança Que Ficou
6. Subindo ao Céu
7. Visitando o Recife
8. Todo Cuidado É Pouco
9. Revendo um Amigo
10. Choro na Madrugada
11. Valsa a Tozinho
12. Pisando em Brasa

Os CDs serão vendidos separadamente a um preço médio de R$ 15,00.

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Quinta-feira, Outubro 09, 2003  

CD - lançamento
Joyce - Passarinho Urbano



Gravado na Itália, "Passarinho Urbano" está sendo relançado em CD pela Warner.

A própria Joyce conta a história desse disco:

"Em novembro de 1975 eu estava em Roma, fazendo uma turnê com Vinicius de Moraes e Toquinho. Tínhamos nos apresentado já no Teatro Sistina com enorme sucesso, depois em outras cidades italianas, e aguardávamos o dia em que deveríamos seguir para o fecho da turnê, no Olympia de Paris. Enquanto isso, meus companheiros aproveitavam para gravar, com a diva Ornella Vanoni, o que seria o disco "La Voglia, La Pazzia", futuro hit do ano seguinte. O produtor era Sergio Bardotti, também versionista das canções de Vinicius e de Chico Buarque.

Partiu de Bardotti o convite para que eu também gravasse um disco meu. No caso, para a série Folk Internazionale, da gravadora italiana Fonit Cetra, com canções urbanas do Brasil. Fui, portanto, desencavando de meu baú tudo o que eu gostaria de cantar naquele momento. E o que se desenhou nesta escolha acabaria sendo um painel da MPB mais violentamente censurada na época: Milton, Edu, Caetano, Capinam, Mauricio Tapajós, Paulo Cesar Pinheiro, a dupla João & Aldir, Sidney Miller, o próprio Vinicius (com Carlos Lyra), Paulinho da Viola, Herminio Bello de Carvalho e, last but not least, Chico Buarque, o favorito absoluto dos censores, inclusive em sua encarnação como Julinho da Adelaide. Completavam este painel canções de outros tempos que teriam o mesmo destino, caso fossem contemporaneas - como "Pelo Telefone", de Donga, que ganhou um tom conspiratório que era a cara daqueles anos 70, ou "Rádio Patrulha" e "O Trem Atrasou", sucessos de velhos carnavais. Fechando tudo, o "Poeminha do Contra", de Mário Quintana, musicado por mim, com a célebre frase "eles passarão, eu passarinho", de onde Bardotti tiraria o título do LP.

Optamos pelo formato voz e violão, uma experiência nova para mim, que ainda não tinha tocado direto em nenhum disco anterior meu. Usamos também em algumas faixas, especialmente nas vinhetas, uma percussão improvisada tocada pelos músicos Mutinho e Azeitona, da banda de Toquinho, e um coro formado por mim, pelos dois e mais minha prima e amiga querida Márcia Guimarães, que vivia em Roma. A idéia era a de que isso soasse como um bloco de sujo passando no meio da rua, ao acaso, quase comentando a canção anterior, ou, em algum momento, dois blocos que se cruzassem em alguma esquina do Rio.

A exceção foi a faixa "A História do Samba", do pouco conhecido Geraldo Figueiredo, autor deste samba delicioso, que deixaria babando vários grandes compositores pela simplicidade ingênua e suingue implícito. Aqui, com Azeitona no baixo e Mutinho na bateria, fugimos um pouco do formato original planejado para o disco.

Nos momentos de dúvida quanto à autoria de alguns sambas mais antigos, quem nos socorreu foi o grande pesquisador Paulo Tapajós, pai de meu amigo Mauricio. Alguns telefonemas para ele no Rio ajudaram nos créditos autorais, sem chance de erro.

No "Fado tropical", eu e Bardotti tivemos uma divergencia na questão da pronúncia da palavra "Tejo". Eu cantava "Téjo", como estava acostumada a dizer. Bardotti, com a autoridade de versionista oficial de Chico Buarque, achava que deveria ser "Têjo", para rimar com "azulejo": "o Chico não faria uma rima imperfeita", dizia ele. Tentei ficar no meio do caminho, e os portugueses que me perdoem (o Chico também!).

O disco saiu na Itália no ano seguinte, com capa dupla e um longo texto de Bardotti explicando tudo: os compositores, os instrumentos de percussão utilizados, a tradução das letras, até mesmo uma pequena explicação para gli uomini, "os home" da letra de "Acorda Amor". O lançamento brasileiro, discreto (até mesmo pelo conteúdo), seria em 1977. A esta altura, eu já estava longe, em Nova York, vivendo outra fase em minha vida e minha música. Ficou o "Passarinho Urbano" como a fotografia de um tempo em que, para a juventude de uma geração, era mesmo preciso cantar."

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Quarta-feira, Outubro 01, 2003  

CD - lançamento
Guinga - Noturno Copacabana



Na notável trajetória musical de Guinga, em quase 35 anos de carreira, destaca-se uma grande paixão: o subúrbio carioca, que impregnou para sempre a sua memória. "Vivo tentando unir as duas pontas dessa cidade: o subúrbio, de onde sou filho, e a Zona Sul, da qual me considero afilhado. De lá vem a minha inspiração, o que faz a minha alma voar de verdade; e aqui passei - sem nenhuma riqueza além da minha própria felicidade -, a maior parte da minha vida", explica Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, nascido em Madureira em 10 de junho de 1950.

Quando não está compondo, nem trabalhando como dentista (ofício que antecedeu o de músico, mas que cada vez dá mais espaço ao segundo), Guinga pode ser visto caminhando no calçadão do Leblon, onde vive há 18 anos, ou em Copacabana, bairro no qual morou outros nove. Em seu sexto disco, Noturno Copacabana, como nos outros, ele diz ter se inspirado nessa aldeia que habita. Na sua opinião, Copa é o bairro-síntese do Brasil:

"Quem faz a história daquele lugar são os seus personagens, alguns ilustres como Luiz Oscar Niemeyer, e Dona Amélia (mãe de Chico Buarque), que vivem lá. E mesmo com a decadência do bairro hoje, acho que toda aquela beleza ainda fala mais alto. Amo trabalhar lá, fazer as minhas caminhadas, jogar um futebol...". É à noite, segundo ele, que uma espécie de trem do desejo toma conta do lugar, quando prostituição, orgia e prazer são embalados à luz da charmosa Princesinha do Mar. É o que denuncia a faixa-título do disco, parceria de estréia com Francisco Bosco, por sugestão do pai, João Bosco: "Noite, à beira-mar/Homens vêm montar/Centauros de silicone/ Por cem reais/Nalgum motel/Ou sob o céu do Mirante/Leme, Marimbás/Forte, Posto Seis/É pura pulsão de morte... morte... morte...".

O CD, mais uma produção de Paulinho Albuquerque para a Velas, tem também parcerias de Guinga com Simone Guimarães (Desavença, Pra Jackson e Almira, Rasgando Seda, cuja letra foi feita em homenagem a Guinga), Luís Felipe Gama (pianista de São Paulo que é também um letrista de mão cheia, basta conferir em Silêncio de Iara), além de Mauro Aguiar (Concubinato e Canção Desnecessária), Aldir Blanc (Abluesado) e Paulo Cesar Pinheiro (Senhorinha e Fonte Abandonada, linda valsa que depois de engavetada por 20 anos, ganha o reforço do Quarteto Maogani e os vocais de Leila Pinheiro).

Além de ser considerado pelo próprio compositor como um disco de alma feminina, em suas 14 faixas, Noturno Copacabana conta com a participação de três ótimas cantoras. A já citada Leila - uma das maiores incentivadoras do compositor, que além do álbum dedicado às suas parcerias com Aldir Blanc, Catavento e Girassol, gravou também mais de uma dezena de canções dele -, Fátima Guedes, que esteve presente também em Cine Baronesa, de 2001, e a cantora paulista Ana Luiza, convidada que o anfitrião faz questão de elogiar sempre que pode. O restante das canções, fora quatro faixas instrumentais, são interpretadas pelo próprio Guinga, que vem perdendo a timidez para o canto.

Músicos do primeiro time também abrilhantam o CD, entre eles, Lula Galvão, Jorge Helder, Paulo Sérgio Santos, Carlos Malta, Andréa Ernest Dias, Nailor Proveta, Marcelo Martins, Marçal, David Chew e Marcus Tardelli. Paulo Aragão, integrante do Maogani, assina os arranjos, exceto os de Garoa e Maresia e Noturno Copacabana, de autoria de Lula Galvão. Aragão também é o autor, junto com Carlos Chaves, da transcrição das notas do violão do compositor - feitas uma a uma devido à complexidade de suas linhas harmônicas e melódicas -, para o songbook A Música de Guinga, lançado em maio desse ano.

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